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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

A Sombra

Paira no mundo uma sombra desigual

que rima com medo, terror e romantismo

um pássaro fúnebre, príncipe do mal

que à suprema razão provoca estigmatismo

 

convertem-se pessoas num rio indigente

onde lobos viajam com pele de ovelhas

o amor é-lhes o milho incómodo nos dentes

no mar, as ondas brancas tingem de vermelho

 

à Humanidade pregam ferrugento prego

que não há Cristo vivo que estender nos queira

as mãos ensanguentadas, sem no mundo emprego

a Morte, essa já tem emprego de coveira

 

lunático político no dorso do míssil

rasgando céus de cinza, pó e fumo negro

louco, pirotécnico, de erecção difícil

recebe este poema, ferrugento prego

 

na tua mão direita, na tua mão esquerda

nos pés, no coração, jorrando da cabeça

urgente solução, para estancar a perda

dos filhos da Terra que mataste depressa

O rádio

Desligo o rádio

para escutar

a estação

da minha vida

 

desligo o ácido

do estômago

para chorar

uma partida

 

sorrio a brasa

do fogo

que há no seio

do meu abrigo

 

 

recuo alado

do enfado

na sentença

sem medida

 

de cor violácea

é este céu

opressor

na despedida

 

desço o degrau

ansioso

para te ver

na escadaria

 

fazendo um laço

ato o meu nome

ao coração

quase partido

No Pátio das Promessas

Que tédio, a vida, duas linhas bastariam

tudo é digno de registo pois me sobra

tempo, que do tempo muitos me diriam

que lhes falta sempre. Tem mais o tempo a cobra

 

da presa anda à procura, no silêncio, ávida

porque precisa por o seu veneno em dia

e num cruel momento, a cobra fria, sábia

ao destino indefinido, a presa sentencia

 

no Pátio das Promessas, onde os sonhos brincam

dormem às janelas lírios inocentes

todos os sonhos fogem, só os versos ficam

na timidez do sol, no pânico de sempre

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