Quarenta
Agosto 04, 2016
Já são quarenta anos que trago no corpo
Nasci como este verso que nasceu do nada
Um sol a renascer tímido no horizonte
Manhã que trouxe amor do amante à sua amada.
E multiplico os meses, horas e palavras
Que fui beber à fonte, à fonte desta vida
As que simples me são me foram sempre caras
Para dizê-las bem na hora da despedida
Quarenta anos em bando voaram neste céu
Que subo dia a dia, ávido, a ver se alcanço
Como um Timeu que sobe em direcção ao ser
Quarenta tiranias dum refúgio meu
Em colisão com este mundo sem descanso
Que tende a ser um sol no céu triste a sofrer