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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Força, Portugal!

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Vamos, Portugal! Vamos para a frente

Que na retranca não se marcam golos

Força, para a frente, que atrás vem gente

Usem pernas, pés, também miolos!

 

Às armas, Pepe, Wiliam, atenção!

Dá no Nani ou no Ronaldo, chuta, chuta

É golo de Portugal! Da selecção!

Fora de jogo, árbitro anula, filho da...

 

A táctica? É meter lá dentro as bolas

Se é quatro quatro coiso, que me importa

Se jogam em quadrado ou losango?

 

Ou que os golos sejam feios, carambolas

Se o Quaresma chutou com perna torta

Ou se foi um urso, tigre ou oragotango?

E tudo o vento levou...

Não deixarei que gritem alto, aflitos

Meus versos roucos de tanto gritar

Que a vida dura um dia, há-de acabar

Não quero que em histeria acabe aos gritos

 

No sangue surgem trágicos conflitos

Entre verbos que não sei conjugar

Porém tudo há-de um dia serenar

E viverão na terra entre proscritos

 

Silêncio à volta! Dentro, a gritaria

Aos empurrões, as multidões em fúria

Divergem, com veemência, de quem sou

 

A anos-luz ser príncipe da poesia

Mendigo na miséria e na penúria

Sou sempre o que “E tudo o vento levou”

Segredos

Fosse um soneto à beira do suicídio

Quando nos bate à porta anos quarenta

E a ansiedade vítima de homicídio

Livrando-me do mal que me apoquenta,

 

E conhecesse em vida o magno Ovídio

Louvado pelo Tempo que o sustenta

E visse na íntegra a vida em vídeo

Tentando decifrar o que me atormenta.

 

Lá onde o azul recebe o sol ardente

Divino, há um segredo a desvendar

Guardado pelos ventos em segredo

 

O que meu coração me oculta e sente

É como a branca espuma à beira mar

Que vem, mas logo vai, talvez com medo…

Meu Pequeno Rock Star

Ao meu fillho Eduardo... para ler

daqui a vinte anos

 

Era a mais brilhante estrela

Que num palco cintilava

Com apenas oito anos

A guitarra já tocava

Como se tocasse há tempos

Nem o sol o atrapalhava

E num estilo muito rock

Em palco, se entusiasmava

Vestia branca frescura

E botas pretas calçava

E num estilo sempre rock

Sua cabeça abanava,

Sorrindo para a plateia

Sua energia enviava

Parecia adulto, maduro

Que no palco ali estava.

 

Com apenas oito anos

A leitura o acompanhava

Trazia livros da escola

E comigo os partilhava

Ao deitar, antes do sono

Que o sono, nunca o domava

Líamos juntos os livros

Os livros que me mostrava

E as dúvidas de criança

Curiosas coisas lhe dava

Queria tudo saber

Tudo para ele era nada,

Do Cristiano Ronaldo

Cujas fintas imitava

Com sua bola de pano

Golos em casa marcava

Relatos bem detalhados

De jogos que imaginava

Fazia duas equipas

E assim, sozinho, jogava.

 

Sobre as coisas que entendia

Perfeitamente explicava

Sobre a comida das flores

Do que a flor se alimentava

E flor bonita que visse

À Valentina ofertava

Depois de «obrigada» dela

Um terno beijo lhe dava.

Mas seus dias eram longos

Cansado ao lar retornava

Trazia coisas da escola

Mas tão cedo as terminava.

Não perdia os Slug Terra

Na TV e outros gostava

E algum jogo do Benfica

Que seu pai golos gritava

Mais os cromos da Panini

Que na caderneta colava

Se por bom comportamento

O seu pai recompensava.

 

Com apenas oito anos

Já Iron Maiden ouvia

Que logo pela manhã

No hábito, um álbum escolhia

Na pergunta matinal

Qual o CD que escondia

Atrás das costas, e o pai

Um nome qualquer respondia,

No carro, a música alta

Soava ao raiar do dia

E sua cabeça abanava

Enquanto refrões repetia.

Da escola, a pele esfolada

E em sangue os joelhos trazia

De quedas feias na estrada

Mas a bola ele só queria

Seja a guitarra ou a bola

Assim tempo dividia

Que já levava para casa

Curiosas histórias do dia

Com oito anos apenas

Era assim que ele crescia

Sonhos Irreais

Sonhos, que tão bom são de sonhá-los

Que não me minta quem diz já não tê-los

Que eu possa, como balões no ar, soltá-los

Ou desenrolá-los como novelos,

 

Por isso os escrevo, na ânsia de arrancá-los

Do peito, para que possa entendê-los

Se em verdes prados correm, são cavalos

Livres, impetuosos, os mais belos

 

Diz-me o que sonhas, dir-te-ei quem és

Se sustentados por teus próprios pés

Que vencem sóis escaldantes dos desertos

 

É que há nos sonhos hidras, ogres, feras

Tentáculos e línguas de quimeras

Que geram cá na vida desconcertos

A mulher abominável

Faz da sua vagina fonte de riqueza

Tesouros reluzentes, náufragos antigos

E os homens, peregrinos, vermes da Beleza

Procuram serenar impulsos inimigos.

 

Expõe, aos mais gulosos olhos, a certeza

Nos seus pequenos seios, da fadiga abrigos

Para amigos da onça, que na subtileza

Guiam-na a navegar um mar cheio de perigos.

 

Jactante, diamantina, com olhos gulosos

Pastora desse bando das másculas feras

Sonda esse ar preenchido de olhos predadores,

 

Faz do corpo instrumento e faz, aos mais zelosos

Promessas infantis, filas de longas esperas

Aos seus fracos fiéis, à espera, sonhadores.

Manhã de Junho

Basta-me este soprar manso do vento

No ritmo lento com que embala as flores

E os choupos, e os sentidos… são favores

Que alívio dão, e alento ao meu intento

 

E devagar, desfaz-se o nó cruento

Das ânsias minhas, camufladas dores

Em rasgos extravagantes de mil cores

Pinto o retracto exacto do que tento.

 

Rara manhã de Junho azul celeste

Contraste à minha estranha ventania

Que no meu frágil ser sempre soprou

 

Dá-me de novo, ó vento, o que me deste

Essa serena e suave melodia

Com que minha alma inquieta me cantou

Sobre as críticas a CR7

Tão triste é o que critica, é o que maldiz

Que, para próprio bem, o bem difama

Que, por cegueira, dá mau nome à fama

E vil, no seu covil, vive infeliz.

 

Tão triste é o que se fala, o que se diz

Quem na mentira, atira um nome à lama

E por rancor e inveja faz a cama

Imunda, ao ser honesto, ao ser feliz.

 

Palavras ferem mais que mil punhais

Afiados por quem vive em desventura

À sombra do que, audaz, glória alcançou

 

Porém, infames frases não são mais

Que folhas outonais na sepultura

Varridas pelo vento que as levou

Ontem, a Lua

Ontem, a Lua estava demasiado bonita.

Era impossível dormir sem contemplá-la

Irresistível. Hoje de manhã falavam dela

Como actriz portuguesa em Hollywood.

 

O céu joelheiro deu-lhe um colar de estrelas

A Noite estilista vestiu-a de nobre rainha

Um diamante suspenso em céu de veludo

Esperança nova na infinita escuridão

 

Ontem, a Lua não nos deixou dormir

E colámos na janela nossos rostos curiosos

Em que a noite desconhecia ser eterna

 

És assim, para mim, inúmeras vezes

A minha Lua cheia estrela de cinema

Sempre, antes sequer de saber teu nome

O Moinho

Uma sílaba a mais num verso alexandrino

Um porto abandonado, um pórtico em ruínas

Na esquina do poema, a faca do assassino

Que rasga a noite escura em estrelas vespertinas.

 

Fica-se à beira mar do que julgamos ser

A vida na alva espuma com vontade própria

Molhamos só os pés, mas nunca iremos ver

Quem nos obriga ter a vida em cornucópia.

 

O moinho na colina verde é o pastor

Da fadiga do tempo, da mágoa de sempre

Parece que se vive ali imune à dor

Fica-se a remoer nisto antes de Setembro.

 

Olhando pelo espelho, olho a ver se vem

A que nos torna escura a clara luz do dia

Um pânico de súbito muda-me a imagem

A arrepiar cabelo, a percorrer-me a espinha.

 

O ninho da cegonha inspira algum conforto

O voo do falcão ao longe inspira medo

A penumbra no pinhal que me invoca um gosto

Onde vivemos muito em tão pouco tempo.

 

Na tentativa em vão de ter este sossego

E ser possível tê-lo na palma da mão

Gravei este momento efémero cá dentro

Onde já não cultivo sonhos e ilusão.

Tédio

Corre-me o veneno que o tédio me dera

As horas são insónias, dores os minutos

E morro lentamente como me esperassem

Nesse céu promissor onde se enverga luto

 

É como se estivesse na estação do tempo

À espera que me levem além do horizonte

e planeasse férias longas em Dezembro

e fosse feito monge, e já estivesse longe

 

É como se invocasse tonto uma tontura

E fosse recebido no jardim celeste

Mas não há paraíso, só febril loucura

De suportar a luz, a luz que vem de leste

Sonho de Ícaro

Não durmo, é meia noite, a eternidade

Bateu-me à porta. A Lua, da janela

Acena-me na sombra e claridade

Como se fosse amante íntimo dela.

 

Lá fora, o ar nocturno, a realidade

Em mim, transformo um sonho em caravela

Que ondas do mar rasgou em liberdade

E trouxe o mundo preso pela trela.

 

É tempo de vigília! Abro os sentidos

Ferve-me o sangue, rasgo a rósea pele

Crescem-me plumas e ânsias de voar

 

Por inflamados céus, dedos estendidos

De um sol impiedoso, que me impele

Subir, subir e arder… sem mais voltar

Absurdo

Não vejo a hora de ir-me agora embora

Não vejo a calma que me acalma a alma

Não vejo idade na longevidade

Nem é unânime a humanidade

 

Não sinto as alucinações de absinto

Não sinto pressa de quem me ultrapassa

Não sinto muito, sinto só o cinto

Bebe um copo de absinto que isso passa!

 

Não escolho mais escolhos que escolhia

Não levo mais as levas que levava

Não encolho tanto como me encolhia

Nem olho mais os olhos que eu olhava

 

Não conto mais os contos que contava

Não subo mais por onde mais subia

Não canto mais canções que antes cantava

Jamais desço por onde mais descia.

 

Sou rei num reino e reino sem rainha

Sou culpa da desculpa desculpável

Sou lei num leito de uma ladainha

Deleite no delito deplorável

 

Sou servo deste absurdo que absorvo

Sou nervo de Minerva que me enerva

Sou cravo que cravei num curvo corvo

Sou cara vela de uma caravela

 

Sou tordo enternecido ao entardecer

Sou tarde ao anoitecer desconhecido

Sou conhecido por desconhecer

Quem sou e por não ser reconhecido

Ao sol do que será

Repetem-se as manhãs do meu pouco a fazer

Durmo sonolento como um gato ocioso

Acordado e desperto, um vento no deserto

Murmuro uma oração ao ouvido do povo.

 

Ao destino me lanço Converso com o tempo

Seremos um licor que a Morte beberá

Respiro o ar de Junho, aveludado, quente

À sombra do que fui, ao sol do que será

Rotina

É a boca que ordena que se abra um abismo

Sempre que semeias ventos da desgraça

Com palavras de fogo, com lábios de lírio

Somos em delírio cobras enroladas.

 

É o cheiro a incenso que lembra o martírio

A muralha erguida em defesa do nada

Um vácuo no quarto, a falta de estímulo

Se tu não me olhas é a morte que passa

 

Porém, quando abafas a voz do futuro

Nas caves profundas do nosso argumento

É ver renascer um império das cinzas

 

Sempre que arde o lume vindo do ciúme

Nunca será tarde de serenar-te a mente

E saciar a ígnea fome dos teus sentidos

Ultimato

Pudesse receber as asas de ouro da arte

E meu sentir sulcasse as nuvens do meu ser

E serenasse a guerra em mim ao visitar-te

Ó tempo, que eclipsas o sol do meu querer.

Sou este rio...

Olho para dentro da taça

De vinho e vejo-a vazia

De enchê-lo o tempo é escasso

Por isso, olho este rio

Do tempo breve, a saudade

Quando eu chorava e me ria

Do que causava embaraço

Fugindo incauto ao destino

De voo trémulo e raso

Sobre a planície de vidro

Funesto sonho ter asa

Ser antro de poesia

Pensando nessa desgraça

Perder-me enquanto subindo

Eu ia a ver se me dava

Ser quem a vida pedia

Beijando o tronco da árvore

Deixando mundos em cinza.

Sou sombra por onde passo

Depois serei os meus escritos

O céu desfeito em palavras

Num bando de estorninhos.

Sonhei a glória do bravo

Mas fui o bobo sorrindo

Sonhar? O tempo é escasso

Por isso, sou este rio

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