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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Fel

Maio 27, 2016

Aceito haver o fraco, haver o forte,

A negra morte, o nada, a breve vida

O Sol a desaparecer na despedida

A Lua à noite viúva entregue à sorte.

 

Aceito aquele que anda já sem norte

O que não encontra a porta de saída

O que vive do vício da rapina

O que sucumbe sem ter passaporte.

 

Aceito o vento como obra do acaso

A cobra fria que usa letal veneno

Entrando num jardim que não é o seu

 

Aceito a flor que morre em seco vaso

A dor de ser mortal, de ser pequeno

Mas esse fel que provas não é meu

25 de Maio

Maio 27, 2016

Dedicado aos Alunos dos Pupilos do Exército

 

É quando chega o dia vinte cinco
de cada mês de Maio, a nostalgia
como ser guarda de honra no Domingo
como vestir a farda neste dia.
é como se sentisse que essa casa
meu lar ainda fosse doce abrigo
é como se voasse na sua asa
num filme a preto e branco muito antigo
e visse novamente nesse filme
reunidos dias de ouro que vivemos
e claramente ouvisse soar o hino
lembrando no presente o que aprendemos.

 
é quando chega o dia vinte cinco
do mês de Maio, que chega a saudade
como ser noite às vezes num Domingo
e regressasse à minha tenra idade
estivesse com amigos, porto antigo
a rir, barriga em dor, e com vontade
na casa onde se ensina o bom ensino
onde fazíamos uso da verdade.
leva-me esta saudade a procurar
a minha barretina tão antiga
“O hino dos Pupilos” irei cantar
honrando a bela casa mãe amiga

Lúcifer

Maio 14, 2016

Quando hoje eu te vi ao meio dia fiquei sem

Palavras como frutos frescos numa cesta

Trazia-os pensando que gostarias mas quem

Pensava que virias tão bonita e lesta

 

Entraste e suprimiste a glória feminina

Murcharam lírios, lábios, risos e antúrios

Vi no teu corpo fresco a estrela matutina

Como quedas de água em forma de murmúrio

 

Em cada gesto, em cada olhar, num só minuto

Podia ser um rio, para ir morrer ao mar

Mas escolhi o silêncio sincero e, num segundo

Coube-me a sorte grande ver-te caminhar

Desacordo ortográfico

Maio 05, 2016

Sou ângulo recto num prisma: a sociedade

Na tristeza educada, plena de tangentes

Ângulos incertos existem na verdade,

Quando a verdade oculta mentiras sem dentes

 

Saudade do meu ócio, essa resina lenta

Que goteja na árvore da imaginação.

Dor física sem verso, sim, isso apoquenta

que não me chegue ainda ao frágil coração.

 

Há tanto para olhar, há muito para ver

Meus amigos são peças de puzzle espalhadas

Só junto deles posso continuar a ser

No mar ilhas perdidas, verdes e privadas.

 

Perséfone raptada pouco tempo esteve

Veio pálida e tímida com ânsias de veludo

Breve estadia a sua! Caindo a alva neve,

Tornou-se seu marido, dela carrancudo.

 

Sou como céu de cinza prestes a ruir

Como uma casa antiga ao tempo abandonada

Minha ansiedade nunca pára de zumbir

Fervo muitas vezes em tão pouca mágoa.

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