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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

A União

Há centenas de braços que me envolvem.

Movo-me, mexo-me fora de mim,

Sem seguir a bússola do meu querer

Que se avariara, um dia, num naufrágio

No dorso do mar em cada rosto ou vontade,

Ou ruga, procurando esmeraldas perdidas,

Ilhas mágicas com tesouros falsos.

Falhei. Cometi erros, inventei sensações,

Quebrei copos de cristal no silêncio

E todos os ouvidos voltaram costas

Rangendo dentes, culpando, raivosos

A minha falta de jeito nas conversas banais,

Querendo conservar o único diamante

Amadurecer como um vinho raro.

Que segredo saber quem somos

Escavam-se abismos fundos à noite,

E quando noite cai, e quando a noite vem

Beijar-nos com boca viperina

Acordo, de acordo com a vontade

Juntar ao ser que fui ao ser que sou

Fardos de Palha

Nunca escolhi pra ser aquele que hoje sou,

Olho-me ao espelho e vejo só triste lamento

As lágrimas dum homem soam só de noite

Porque chorar é rir do seu próprio tormento.

 

Tão pouco esclarecido das coisas banais,

Hesito e fico à porta dum simples sorriso

Há frases que nos ferem, são agudos punhais

Que nos vieram expulsar do nosso paraíso.

 

Um lar, mágico antro de coisas secretas

De sombras passageiras, silêncios irreais

No fundo, bem no fundo surgem mil quimeras

Do esforço para não sermos fúteis e banais.

 

Acolho-me num canto, junto dum poema,

Cubro-me somente com minhas acções

Sou peça de teatro sem ter argumento

Onde no palco actores fingem corações.

 

Divago à chuva dentro de mim no Verão

Respiro o bafo quente vindo da fornalha

Esvazio de esperança, oprimo o coração

Escuto-o a carregar os seus fardos de palha.

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