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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

O Meu Coração

Meu coração às vezes chora,

Como geme a guitarra portuguesa,

Numa dada altura, numa dada hora,

Cheio de violência inglesa,

E é tal o encanto, tal a grandeza,

De ser gente, de ser frágil,

Que num dado momento,

Mais veloz que o pensamento,

A Morte vem cruel e ágil.

Mas que me importa a morte,

Pois que me entrego à sorte,

De ter Deus em carne e osso

No fundo do meu coração,

Que no fundo é mais um poço,

Longe da verdade,

E da Razão…

E como uma aldeia em festa,

Cheia de luzes e barulho

De música e vinho derramado

Eu canto e vivo embriagado

O meu coração sem orgulho

ÀS ORDENS DA LUA

Sabe a morango, o toque suave, a gelatina

Melosa equilibrada pela mão que tem

O seio prometido da musa divina

Ditando húmidos versos que na mão derretem.

 

Comido como insecto por planta carnívora,

Sem língua, ou quente boca dentro da colmeia,

Devora-me, abraça-me, pica-me qual víbora

Enterra-me na tua praia de rósea areia.

 

Esse “V” de vitória é uma colina verde

Ponho a mochila às costas, faço-me ao caminho,

Chita veloz o tempo, o tempo que se perde

És meu sagrado templo, o meu sagrado vinho.

 

Pousa no chão o fardo um pouco, devagar,

As minhas mãos dissipam doridas tensões

E quando for para sul, tu irás naufragar,

Na ilha que criei, com árvores tentações.

 

Há grutas e cavernas, húmidas, exóticas

A areia é de brancura igual à linda Diana

Se ela vem masturbar-se ao ler histórias eróticas

Deixando de ser deusa para ser humana.

 

Vi-a tactear o seio, ao folhear meu livro,

De poemas proscritos guardados na gaveta,

E num lácteo murmúrio, disse-me ao ouvido

“Não pares de escrever. Virei ler-te, poeta”

 

“Pois que meu corpo gela à noite se sozinha

Caminho quando entorno o meu branco luar

Às vezes dou trabalho ao dedo que adivinha

Para tanger a lira e fazê-la vibrar.”

 

“Sinto o meu corpo frio às vezes em tumulto,

Todo o calor da terra não é o bastante

Escreve mais poeta que me soe a insulto,

Livra-te que meu seio não fique ofegante.”

 

Por isso amo a nudez dos corpos enredados

De ouvir filhos da noite amarem-se em segredo

Ouvi, belas donzelas, corpos encaixados

Dum prazer infinito que não mete medo.

 

Das curvas, dos contornos, dos ângulos estreitos

Dos mornos orifícios que têm muita luz

Dos sexos conjugados e sem preconceitos

As mágoas e tristeza a cinzas reduz.

 

Da firmeza do corpo à  firmeza do sexo,

No sal a misturar-se na seda ou cetim

Da borboleta leve ao tornado complexo

Eu nunca hei-de escrever neste episódio FIM

A Máscara

Goza a tua beleza, mulher vistosa, goza bem
Faz dos nossos corações de cristal e vidro,
Quebrando-os, na ignorância de mãe,
Que abandonara o filho, nas ruas, perdido.

Planta o dissabor como quem escreve poemas
De amor, e por quem lidos julga ser amor
Por mais que alguém escolhas, o lemas dos lemas,
É ser deusa no Olimpo, ídolo que dá dor

Pedi aos céus que ao sangue um fluído natural,
Tu que és um cisne branco e alma de falcão,
Espalha tua semente, germe do teu mal,
E que eu esteja bem longe do teu coração.

Tua boca, buraco negro, abismo fundo,
Que um corpo amas mas cega estás longe do ser
Não sigas o meu rastro e pede quem no mundo
Usa máscara no amor, e quer de ti prazer

Fora do Tempo

Minha fraqueza chega a ser maior que os homens,

Loucuras, devaneios, impossíveis sonhos,

Dizem que meu olhar é meigo, açucarado

Como se fossem olhos de monstros medonhos.

 

Às vezes a tristeza invade-me e rebenta

Espalham-me a sua tinta de caneta preta,

Que ao sol, muito aquecera, ou foi alma banida,

Por não servir o punho do melhor poeta.

 

Tenho vivido flashes, espasmo digitais,

Como grandes descargas de electricidade

Tenho vícios nefastos, ânsias descomunais,

Como hábitos de Buda em busca da verdade.

 

Um rosto iluminado por sorriso branco

Conquista mesmo falso o mundo inteiro imundo

E eu que escrevo versos sentado num banco

Parece que não digo nada num segundo.

 

Ignoro a vida como o acordo ortográfico,

Finjo que nada ouvi, escrevo como me apetece

Na incerteza infindável rumo ao azul celeste

Eu grito aos mudos céus… mas nada me acontece

 

São praias e prazeres, portas por abrir

Escravos por libertar, corruptos por prender,

Se o mundo fosse bom, não precisava ir

Ao fundo de mim próprio e seria um prazer

 

Sou frequência de rádio que ninguém apanha,

Melhor, eu ouvirei o repicar dos sinos,

Apoio o cotovelo nas terras de Espanha

Lançando ao mar os planos que fiz do destino.

 

Fora de mim eu vibro, eu vivo, puro instinto

Interrogar condena o andar do meu querer

Fora de moda, sou ruínas de Corinto

Fora do tempo eu posso ser o que quiser

A PESTE

Quem vem atrás de mim? Ninguém me siga:

Sou como um mau exemplo a não seguir

Meu bem é só meu corpo a decair

Num túmulo… só a sombra lá se abriga

 

Sou perigo na armadilha que se liga,

Ao chão de boca aberta, a cova funda

Sou Titanic que no mar se afunda

Porque no amor não caio na cantiga.

 

Sou moeda fora de circulação,

Talvez não tenha mesmo coração,

Por não dizer que te amo como um louco

 

Porém, por que te afastas mais de mim,

Escrevo com sangue no meu peito FIM,

Pois esse amor falado sabe a pouco

Algumas músicas...

Esta música trouxe-me um punhal agudo,

De nostalgia,

Fere-me como se me abrisse ao meio

E me descobrisse,

Estende-me a asa de cera para que me aproxime,

Mais do sol ardente…

 

Quanto, e custa invocar músicas adormecidas,

Em quartos de hotel,

Escuros, na memória que nos hospeda sem repouso

Num quarto impossível,

Assegurando-nos que um dia seremos folhas soltas

Frágeis e esquecidas

 

Quanto esta música dói ouvi-la como ver alguém,

Que nos magoara muito

Um amor antigo, uma sombra, um espinho

De rosa ensanguentada,

Escavando-nos um fosso à espera que as lágrimas,

Rolem tristes pelas faces…

 

Ó tempo, quanto nos custa, olhar pelo ombro

Seguindo tuas pegadas,

Sentindo formar-se um frio na barriga,

De sabres e floretes

De geada matinal quando me lembro,

Que jamais se pode voltar

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