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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Florestas

Março 17, 2008

Cresçam-te as trepadeiras, madressilvas,

Pelo teu corpo esbelto alvo e lunar,

Cresçam frutos silvestres pelas silvas,

Dos beijos que te dei só por te amar.

 

Cresçam verdes loureiros nos caminhos,

Prateados, quando a Lua sobe ingrata

Ébrios odores como doces vinhos,

Bebidos em noites de âmbar e prata.

 

Deixa-me erguer densa floresta em ti

Com chuva de carícias e louvores,

Com teus ardentes gestos sem palavras;

 

Pois teus caminhos de ouro percorri,

Varrendo folhas secas, dissabores

Porque meus campos com teu amor lavras.

O Rei Sozinho

Março 17, 2008

Eu sou o que anda nu no meio da estrada,

Que diz ‘adeus!’ à vida diariamente,

Ando à procura da minha alma doente,

Nas pedras, na gente, no corpo e...nada!

 

Eu sou o que anda neste mundo ausente,

Que sonha a Beleza nunca encontrada,

Em busca do seu verso altivo e ardente,

Que cante o amor gentil da Musa amada.

 

Meus olhos são falcões reais que ordeno,

Que alcancem céus em busca de alimento,

Às minhas cinco crias no meu ninho;

 

Meu Novo Mundo ainda me é pequeno,

Lançada pedra ao mar do esquecimento

Eu sou, num reino abstracto, o Rei Sozinho.

As Duas Faces

Março 14, 2008

De amor, contraditório sentimento,

Histórias loucas oiço e colecciono,

De asas servindo ao magro pensamento,

Abrindo as portas da Mansão do Sono,

Na coragem, algoz do meu futuro,

Perene amor que fique o ser maduro.

 

Como a amorosa pomba que no chão,

Por entre a gente humana se aventura

Matando o que nos dá tanta aflição

Esta fome que mata me tortura,

Porque pretendo erguer meu templo ingente,

Sou quem adora ouvir quem amor sente.

 

Música, dos deuses a linguagem,

Perfeita, esvoaçando no ar, se entranha,

Vem nos suspiros dados uma aragem,

Doce tristeza quem no amor se acanha,

Ou porque amou ou ama quem não a ama,

Ou porque a Citereia a história trama.

 

Donde vem esta sede de alcançar,

Quem alcançar não está ao seu alcance?

Donde nasce a vontade de avançar,

E sem repúdio a voz nos diz: que avance?

Tem silvos de álgida e cruel serpente,

Este contentamento descontente.

 

Parece uma corrente insubstancial,

Razão e Loucura andam de mãos dadas,

Brincam com o fogo entre o Bem e o Mal,

Irmãs inseparáveis, abrasadas,

Porque bem me parece para agora,

Pode Mal advir dele a qualquer hora.

 

Carpindo mil desejos anda a alma,

Dançando radiante e se alegrando,

Andando como se fosse vivalma,

Num verde parque escuro caminhando.

Porque se esquece que este mundo existe,

Amando, do seu mundo até desiste.

 

E finge não querer mais do que tem,

Daquelas horas em que algo se exalta,

No peito entumecido que também,

Anseia do momento e se aperalta,

Ó estrelas do universo: eu vos invoco,

Quando na lira ardente eu amo e toco.

 

Melódicos cantares nas delícias,

Da deusa que traz fogo do marido,

Que tornam as palavras em carícias,

Se feita for promessa em nosso ouvido,

Ser eco nesta vasta eternidade,

Que diz-se nela haver toda a Verdade.

 

Tão próximo se está do Paraíso,

Tão claro a nossos olhos se vê deus,

Tão longe de viver sempre indeciso,

Como cantar-te Musa, os versos meus.

Tão longe, tão distante, tão incerto,

Nem nuvem, sombra, nem céu encoberto.

 

Quais águas deslizando pelo rio

Sem chuvas, sem ventos, sem tempestades,

Decorre o tempo, longe do fastio,

Longe dos prantos, dores, das saudades,

Porque se chega ao dia de partir,

Sem haver sol brilhante a refulgir.

 

Porque este estranho amor sonhado dura,

O tempo que decorre uma estação,

Sonhou-se amar sem haver nisso cura

Drenando o ânimo do coração,

Porque entre dois, um sempre há que pretende,

Voar livre; o outro, só, nunca isto entende.

 

E o que doce foi se torna amargo,

O que era luz, tornou-se escuro e sombra,

E tudo o que era o seu maior encargo,

Tornou-se um monstro que à noite lhe assombra,

Por ter amado tanto fez-se escravo,

E amando mais torna maior o agravo.

 

E sobre a taça antiga de ouro o sal

Derrama, e nem uma gota pura,

Cai de água cristalina. Vem do mal,

Da nova fonte de água turva e impura,

Chapinha no seu lago lamacento,

Até no amor cair no esquecimento.

 

Mirra de torpor e de cansaço

Morre como a flor que não recebe,

A clara luz do dia, pelo abraço,

De quem de nós bebeu e já não bebe.

Árido tornou-se o nosso mundo,

Respira ante o mergulho no profundo.

 

Eclipse! Vácuo! Trevas! Um silêncio,

Tão mágico, tão sobrenatural,

Do Estígio, não muito me distancio,

E vejo a outra margem sem igual.

Mas... nada faz sentido e há recusa,

Sofrer o que sofreste, ó Aretusa.

 

Eis que sem pensar, e livremente

Acaso lhe acontece o inesperado,

E, como nasce tudo da semente,

Germina algo de novo e... renovado

Processo lento, como cresce a flor,

Que possa novamente achar-lhe amor.

 

E com lágrimas do passado inverno,

Divina a deusa chega, anunciando

Que é tempo de sair do seu Inferno,

E anda na terra a beleza espalhando,

Porque se Inferno existe, o Céu também.

Amor? É um andar no Mal, no Bem.

Simetria

Março 14, 2008

Em que momento a minha alma encontraste,

Desfeita em mil pedaços e quiseste,

Reconstruí-la, Musa, e me entendeste

A dor que tinha, a dor que perdoaste?

 

Quantos enganos tu também passaste

Abrindo no teu peito alvo mimoso,

Do frio no amor, de Inverno rigoroso,

E sempre com calor me confortaste?

 

Ignoro o que em mim viste, o que em ti vejo,

Se à noite eu mereci no dia, o beijo,

Que até mim vem como o voo da pomba.

 

Mas porque o mundo inteiro eu vejo em ti,

O poema que vezes sem conta li,

Na tua linda boca, a minha tomba.

Ode à andorinha

Março 13, 2008

Trémula assustada, ave mimosa

Dos céus, a frágil flor, bela e ladina,

Que no piar me ensina,

Melodia formosa

Tão branda e irrequieta, ave amorosa.

 

Traz-me a saudade uma meiga andorinha,

Que no seu canto tem queixas de amante,

De tais ânsias que tinha

Do macho confiante,

Cantando: “Eu sei que queres que eu te cante.”

 

De ramo em ramo, ergue o seu doce ninho,

Que dure enquanto o sol a terra aquece,

E quando se empobrece,

E aquece um bocadinho,

Tão triste, deixa o seu quente cantinho.

 

Recolhe se pressente o belicoso,

Falcão real, voando as redondezas,

E tu, que elas desprezas,

Com teu voar jocoso,

Falcão real, mortífero, formoso!

 

Do ninho doce, as crias vão piando,

Abrindo, juntas, tão pequena boca.

Da fome, que apertando

Voa a andorinha louca,

Aflita porque a clara luz se apouca.

 

Se audaz, no ar colhe o precioso alimento

Batendo asas, leva o que trava a fome,

E com atrevimento,

Migalha rouba e come,

Antes que outra famélica ave a tome.

 

Tão perto vai rasando a minha mente,

Como se me lançasse um desafio,

Porque a andorinha sente,

E um canto me pediu.

Mas não gostou do meu canto e fugiu...

 

Lembranças

Março 12, 2008

Memórias, que me lembram meu passado,

Lembrando-me quem fui que fiz, que sou,

Entraram na mansão do sono alado,

Por onde a minha alma em tempos andou.

 

Histórias, que demonstram meu cuidado,

Por onde a minha barca o mar levou,

Meu corpo inerme o vejo naufragado,

Que a minha inquieta alma nunca encontrou.

 

Quem pode andar seguro no presente,

Se nenhum vento varre o pó da mente,

Como no fulvo Outono, as secas folhas?

 

Mas, minha Musa, tens um vento ameno

Um sopro onde me sinto calmo e pleno:

Depende da maneira como me olhas.

Estrela Cadente

Março 11, 2008

Diz-me não ser contrariedade! Eu que sonhei,

Com a mulher sublime por quem tanto ansiava,

No mundo a procurava, e nunca a encontrei,

E pela solitária encosta eu deslizava.

 

Amargo, desisti. Nunca a mais procurei,

Como se de encontrá-la, a deusa não deixava,

Até que sobre amor, do amor eu me deixei,

E Eros condoído, seta de ouro disparava.

 

Rara, belíssima, qual estrela cadente,

Rasgava escuros céus, de cauda reluzente,

Mais bela que todas as constelações juntas;

 

Onde a paixão se extingue como a luz de vela,

Tornaram-se brilhantes meus olhos vendo a estrela,

E minhas buscas vãs do grande amor defuntas.

 

O visionário

Março 10, 2008

Fui embater num muro alto, imponente,

Erguido há tanto tempo por titãs,

Afiadas montanhas, o céu escalando;

E germinei ansioso uma semente,

Antes de encher-me de nevadas cãs,

Com palavras salgadas a regando.

 

Sem amuletos, crenças vãs, deixei-me,

Acorrentar-me pela noite escura,

Na imensidão de olhares coruscantes;

Ao mistério da vida, aconcheguei-me,

Compondo a derradeira partitura,

Deixando de lembrar-me como era antes.

 

Quem pode continuar sua jornada,

Se recusa humano e valoroso instinto,

Que um nobre sentimento asas concede?

Na via estreita, achei a caminhada,

Caduca folha se desprende e extinto

Que o ser no nada mora e nada pede.

 

Bela condenação, o tempo estreito,

Como a passagem súbita das margens,

E as águas apertadas se libertam,

A dura empresa de achar-me imperfeito,

Escolhi, amando idílicas paisagens,

Que do meu rosto olhos tristes, desertam.

 

É como quando a aurora abre os portões,

Passagem dando ao astro luminoso,

Libera as testemunhas do universo,

Estrelas, que enchem prantos, corações,

E como um doce beijo, mortal gozo,

Vem dar a luz que anseio no meu verso.

 

Sinto-me o sol sem ambrósia, sem pasto,

Sem dar recobro aos seus corcéis fogosos,

À porta dos jardins de róseas flores;

Sinto-me astro sem raio, inútil, gasto,

Sem libertar meus raios luminosos,

Encadeando os olhos das minhas dores.

 

Ousei querer ousar nas pedregosas,

Vias, onde o mal de querer glória,

Cravar em duro mármore o meu nome;

Deu-me duras tarefas, rigorosas,

Que em nenhum monte cantam minha história,

Tornando fontes ocultas chorosas.

 

E assim tornei-me actor sem palco, louco,

Fingindo haver plateia sem alguém,

À espreita por cortinas de veludo

E tudo a ar me sabe tanto a pouco,

Meus séquitos, sonhando, de ninguém

Não ser da Natureza, frio e mudo.

 

Pavor de ir-me sem ter a rica herança,

Mesmo com vil exemplo, homens aprendem

Terror de pertencer ao esquecimento;

E se deixar uma doce lembrança,

Mesmo aos que me ouvem, aos que não me entendem,

Ser voz , honrando o nome em pensamento.

 

Não busquem ouro nem moral nos versos,

São feitos de ânsias, medos e pavores,

Enigmas para eu mesmo decifrar-me;

Alguns são puros, outros tão perversos,

Faces soturnas cheias de rubores,

São bancos de jardim para sentar-me.

 

Possas leitor o meu amor cantar,

Falando às flores, árvores, às águas

Com rostos que nas nuvens aparecem;

Possa algum dia alguém me retractar,

Retirando punhais das minhas mágoas,

Das vivas coisas que não me acontecem.

 

Contrastes

Março 07, 2008

Nem um momento de ouro reluzente,

No branco do papel hoje estampei,

Sugava, ávido o mundo, a minha mente.

Drenou-me a alma inteira... e eu, deixei.

 

Com meu instante louco, estar ausente,

Enquanto a procissão passa, sonhei,

Que noutro mundo andava alegremente,

Que a pátria amada, a amada até, deixei.

 

É como se sentisse o próprio vento,

Favorável, a raptar-me em pensamento,

Soprar, inchando as velas do meu lenho;

 

Mas porque hei-de ir, se posso estar contigo

Tu tens na tempestade o quente abrigo,

Onde sou louco e lúcido, e até estranho?

Impossível!

Março 06, 2008

Não posso revelar-te o meu segredo.

Sê minha rosa perto do meu túmulo,

Sê no meu verso o meu melhor estímulo,

As nuvens no meu prado que é o medo.

 

Sê prática. Este amor que me consome,

Tem mãos sujas de sangue, criminosas,

E quem tem mãos assim não colhe rosas:

Tem outro vício, outra sede, outra fome.

 

Nem posso ser teu Marte, nem tu Vénus,

Prefiro arder nas chamas dos infernos,

Que revelar-te os versos purpurinos.

 

Sejamos, entre um rio, oposta margem,

Longínquos, contemplemos a paisagem,

Porque já não podemos ser meninos.

O primeiro amor do Sol

Março 06, 2008

Sol, que abraças altas torres, prédios

Saltando de telhados em telhados,

Extasiado, assisto aos teus assédios

Pintando em tons de púrpura e dourados.

Ferido pela seta de Cupido,

O Sol na terra louco anda à procura

Aquela que lhe não tem por querido,

Desejo de estreitá-la na cintura.

 

Invade-lhe uma febre o peito louro,

Sem remédios, sem ervas milagrosas

Chora em prantos de ouro o seu tesouro,

A bela ninfa, entre as ninfas formosas.

Porque, Dafne, teu rosto nos espelhos,

Vê Febo, ao fim da tarde, desmaiando,

E os raios vão ficando mais vermelhos

No mar, eternamente, mergulhando.

 

As aves por respeito cessam cânticos,

Recolhem-se nos ninhos, comovidos;

Escrevem nos papel versos românticos,

Poetas inspirados, doloridos.

Pasmado, num fascínio de criança,

Canto meu cântico crepuscular,

Levando à minha amada esta lembrança,

De ver o sol descer, a desmaiar. 

O Triste

Março 04, 2008

Esta condição de ser triste,

Ser triste por alegre andar,

Tem lugares que nunca viste,

Nos sonhos da cor do luar,

 

Esta condição de ser louco,

Tem vozes do longínquo mar,

Ruge do abismo deus rouco,

Castigando a terra a girar.

 

Esta condição de estar longe,

De tocar, com dedos, o céu,

Tem preces lançadas por monge,

Ao mundo, em que possa ser eu.

 

É como estar lúcido e ser,

O mago dos versos e estar,

Sentado na pedra a perder,

O tempo da vida a passar.

 

É como chorar quando sabe,

Coisas que ninguém quer saber,

É saber a que o fruto sabe,

E ter lágrimas a escorrer.

 

É sentir o leito do rio,

Correr e que vem contra nós,

Mais ninguém no mundo o previu,

Só o louco, de ignorada voz.

 

É estar no presente presente,

Fluir, como a brisa suave,

Ser tudo possível na mente,

Voando como voa a ave.

 

É como dançar nu no escuro,

Com reais espectros da vida,

Roçando na tela, no muro,

A luz, num rosto, dividida.

 

Esta condição de ser triste,

Alegra-me no interior,

Sou rochedo que ao mar resiste,

E já nada sente. Nem dor...

O conselho

Março 04, 2008

Nem esta claridade radiante,

Nem a doce bonança da saudade

Nem leve ar, renovado e refrescante,

Amansa aguda dor, a tempestade.

Nem claro sol que fere o sinto agora,

Banhar-me os claustros escuros do meu ser.

Tão novo, já esperando a negra hora,

Dum outro despertar, do amanhecer.

 

De tenra idade ainda, e já vasculho

A solidão dos tigres, dos leopardos,

Poemas que amontoo como entulho

Severos e espinhosos como os cardos;

Nem servem como as velas nos banquetes,

Iluminando salas sumptuosas,

Nem servem de ramos ou ramalhetes,

Para enfeitar as ninfas mais formosas.

 

Nem gota de água verte a quem tem sede,

Nem migalha de pão a quem tem fome,

Nem um retracto ou espelho na parede,

Nem lume vivo que voraz consome,

Nem cântico atrevido da andorinha,

No bando, desenhando as espirais,

Nem guarda sol, nem sombra, nem sombrinha,

Refrescam como densos matagais.

 

Nunca sigas o vulto estranho, obscuro.

Vês-lhe o rasto, sempre vago e incerto?

De coração extirpado seco e impuro,

Tocando numa orquestra um desconcerto.

Não sigas as pegadas sempre incertas,

Quem olha fixamente o vasto céu

Quem lança o frágil lenho às descobertas.

Porque esse sofrimento, filho, é meu.

Olhares

Março 03, 2008

A dança no jardim das várias flores,

O respirar dos choupos, das palmeiras,

A primavera, as tardes soalheiras,

O alívio das angústias, mágoas, dores,

 

Um amplo céu, o sol e seus favores,

O sono das soturnas oliveiras

As flores a romperem, as videiras,

O cântico das aves, o sol, as cores.

 

Esta rara harmonia que adormece,

Este pestanejar das horas mortas,

A lassidão no passo, os bocejares,

 

A ave pipilante, que me enternece,

As coisas, que nos olham como absortas,

Não são iguais aos teus mansos olhares.

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