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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Conversões

Em meses juntos são quais mandamentos,
Escritos com o fogo; se cada um fosse
Por ti, ó Musa ardente, os sentimentos
Reinava em tirania os Céus, meu doce.
Mas transformar as leis em mil desejos,
Quando o teu mundo e o meu forem só um,
Será meu requerer da vida, e beijos
Pr’a nós e não insisto em mais nenhum,
Porque arrepios pelo corpo percorrem,
Em romaria e as minhas dores espantam.
Não vês p’lo meu rosto como elas correm,
Dos nossos beijos que no escuro cantam.
Se oprime o que é inverso e seu oposto,
Vou transformar em gosto o teu desgosto.

Permissão

Se abrires a porta deste coração,
Afastando a cortina de veludo,
Não sei se sentirás desilusão,
Por não poderes ver num dia tudo,
Teu mundo que por ti vou decorando,
Cantando enquanto o tempo passa e corre,
Mas senta-te, senta-te e vai olhando
Ouvindo o canto que por ti não morre.
Sei que nas águas puras do teu lago,
Quando por lá eu passo para te ver,
Flutuam beijos mágicos de mago,
Quando nos meus braços te quero ter.
Se persistir a dúvida, então vem,
Mas traz no teu corpo a alma também.

O Extremo

Quando a alegria sentes, entristeces
Lacrimejando os olhos coruscantes,
Pensas que tudo acaba mas tu esqueces,
Que no extremo há Beleza. Quero que cantes
Sem temer ondas másculas do mar,
Revolto quando sopro agrestes ventos,
Fazendo, eu besta, a besta despertar,
P’ra ti passo a herança dos tormentos.
Mas quando o mar amansa e a voz abranda,
Os teus olhos já brilham claramente
Sossego pois ficas lânguida e branda,
Já vendo o teu sorriso novamente.
Quando acolheres o Amor por inteiro,
Terás de mim o Amor mais verdadeiro.

Avidez

Fico em silêncio quedo e vigilante,
Quando reina um Caos próprio e percursor
Na infinda loucura. Tão distante
Me encontro das praias belas do Amor...
Surge-me a Beleza como a ave que voa,
Que há pouco no ramo poisada estava,
Tornando-se quase uma gentil pessoa,
Que sempre a mão a mim estendia e dava.
A quem vou mitigar a dor que prende,
Se pedra, a que mar vou eu lançá-la?
Sinto-me mais que ninguém me entende
Quem a vida deseja mais que amá-la.
Mais fundo escavo a própria sepultura,
Menos para esta dor encontro a cura.

Batalha

Neste torpor sobre o meu fosso cerca,
E avança, ousada hoste de um qualquer medo,
Talvez batalha inútil até perca,
Se encarar a invasão muito mais cedo.
Quem Orfeu capaz de encantar montanhas,
Ou andorinha mansa à qual me rendo,
Ao seu alegre canto? São façanhas
Entre a Vida e a morte. Eu não entendo
Quais julgamentos são feitos depois,
Quando expirar no leito e inverter
O Tempo passado, e qual deles os dois
Ao sedutor sorriso irei ceder?
Eis que o Tédio ergue o seu estandarte!
Que o meu Amor ecoe por toda a parte!

Escolha

Quando a língua me seca e não profiro,
Nem palavra que fosse, que valesse
O gesto, fecho-me no meu retiro.
Ao menos se em palavra o riso desse...
Quando a mente se embrenha em labirinto,
Pena e papel imprimem meu pensar,
E o passar lento do Tempo eu finto.
Isto se o ímpeto não acabar...
Preço avultado eu pago e não me importo
Importo-me às vezes quando me encolho,
E se olhar fixo estampar eu, absorto
Nada que me anima no dia eu escolho.
Se o silêncio pesar mais do que eu,
Deixo que impere a vontade do Céu.

Entre fogos

Drenado porque ignoro, sem revolta,
Sem escuta atenta ao que a alma me grita,
Pensando que ao corpo, a alma não volta,
Ignoro o que me prende e incapacita.
Se capaz fui em tempos onde o viço,
Crescia em meu redor que arda então,
E em cinzas deixe, lançando um feitiço
Que domine o meu fraco coração.
Mas enquanto ouvir crepitar do fogo,
O meu que alto mais arde e reacende,
Vou drenar o pântano onde me afogo,
enquanto a esperança sua mão me estende.
Possível é quando a centelha arde,
e adia o santo ofício para mais tarde.

Nuvens

Banhaste o coração com as vertidas,
Lágrimas, e a culpa em mim se instala,
Das tristezas todas, maior sentida
É a minha, quando a tua alma não fala;
Porque vivo do brilho do teu rosto,
Contente, a vista a mim tanto me alegra,
Mas eis nuvens correndo e dão desgosto
E o sol ocultam, e o brilho me nega.
E assim a fronte curvo e vivo absorto,
Perco-me incostante na súbida
Qual barco navegando sem ter porto,
Perdido sem chegada, só na ida.
Tuas lágrimas são nas feridas sal,
Ventos soprei, e esse é todo o meu Mal.

Raizes

(Dedicado aos alunos do I.M.P.E)

De vós, eu nunca vou esquecer um rosto,
De um rosto, eu nunca vou esquecer a voz
Que ecoa em mim, qual meu sincero gosto,
Que me ilumina neste mundo atroz.
Nem número, apelido, nem presença
Ou dito ou feito ou que por vós eu fiz,
Ou não fiz, cruel a nossa existência,
Que o corpo à alma por vezes não diz,
Porque sei bem onde fomos esculpidos,
Nós mármore, ou pedra, em estado bruto
Lugar onde me assusto se esquecidos,
Raiz, quando rebento eu era um puto.
Saímos cada um como um pupilo
E mais ninguém sabe o que foi aquilo.

Musa

Eu preciso enrubescer o teu rosto,
Pôr cor ao branco vivo e preencher,
Tudo o que em ti é mácula e desgosto,
Tudo o que eu posso de ti vir a ter.
Quem poeta terá sua Musa ardente
E absorto em verso obscuro nada extrai?
Quem dorme em sono tão profundamente,
Se admira quando da pena nada sai?
Escárnio não nutro por alguém que finge,
Muito menos desprezo ou vil desdém,
Mas cor que na tela o branco não tinge,
Não extraio a tua cor de mais ninguém.
Se eu detivesse a Natureza inteira,
Serias dos meus versos a parteira.

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