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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

O Belo Mármore

É dos exaustos rostos miseráveis

Que apaixonadamente amo e contemplo

Sem visitas da nobreza execráveis

Erga-se nesta voz sagrado templo.

É nos rostos vincados de tristeza

De angústia e de amargura sem ternura

Que extraio a púrpura cor com subtileza

Por não poder olhá-los com doçura

Cuspo o leite amargo da miséria

Rasgo estes andrajos, as vestidas

De noiva que a vida sonha galdéria

Casar-se como a Morte e margaridas.

Olho-os, amo-os, beijo-os e abraço-os

Molhados de suor e de imundície

Corro para o papel escrevo-lhes traços

Versos que ninguém melhor os disse.

Ó jovem rapariga que não dormes

Irmão, que vincos tens nos olhos mudos?

Que estropiados membros e disformes

Desejos sem ar puro, sem estudos?

E aquele corpulento homem que bebe

Não bebe porque quer. A vida o leva

Ao fundo abismo! Há tanto não recebe!

Sobe no seu lar hera da treva.

Pastam como ovelhas inocentes

Mansos cordeiros, meigos cães de caça

Dos olhos chispam fogo rangem dentes

Lobos quando o gado manso passa

E à noite, quando crias berram tanto:

“Tenho fome!” Mil vezes quando choram

Rompe no silêncio à noite um pranto

Por não terem que dar a quem adoram

E multiplico o pranto vezes mil

E multiplico o mil por mil milhões

E tenho quantos choram (sorte vil)

Aqueles que a dor calam com canções.

E noutros tempos foram belas flores

Raras e bonitas e singelas

Cantando ao sol simples canções de amores

Raras e bonitas o sol a elas

E logo veio o verme condenando

Maligna cor engole a cor mais pura

O branco imaculado desbotando

Tornando a flor do bem em mal impura.

É como verde logo que se forma

Num lago outrora claro e transparente

A vida invoca o tempo que reforma

Tornando-o sujo como a pobre gente

É como o verde outeiro que se avista

no entardecer o sol a esmorecer

Alguém por ódio ou nada pôs na lista

Sua contemplando-o ao vê-lo arder

É como a borboleta que esvoaça

E sobrevoa o prado onde nasceu

E foge quando a verde cor é escassa

E chora o lar materno que perdeu

É como a rica árvore que deu sombra

Abrigo a nus amantes que se amaram

É vê-la ser serrada e como tomba

E os amorosos dias terminaram.

Foi-se o coração onde escreveram

No tronco tortas linhas que dizia

Que alguém amava alguém e lá verteram

Lágrimas de amor. Isto é poesia!

Poético episódio terminado

Recordam com saudade aquela imagem

No rosto desta gente abandonado

Escreve-se saudade na paisagem.

Em cada rosto há uma flor que cresce

Em cada rosto há árvore plantada

Em cada rosto há a escada que desce

Levando ao fundo à vida mal fadada

Em cada rosto há versos de poeta

Há uma Ode à Alegria outra à Beleza

Em cada rosto há uma incerta meta

Um sopro comovente a Natureza,

Pertenço a vós também levando a voz

A vossa a minha a nossa numa só

Que este magro poema me dispôs

Cantar quem tratado é como ar e pó.

Em cada olhar mergulho Ó mar ignoto,

Em cada olhar inspiro Ó Mãe Natura

Em cada olhar suspiro Ó Deus... e noto

Em cada olhar a grave sepultura.

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