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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Trezentos

Janeiro 16, 2007

Dissipou-se a visão que não detinha,
Assim pensava, e a inspiração deixou-me
Largou-me um nevoeiro que não tinha
Na alma minha e o estro recusou-me.

Em busca de um maior esclarecimento
Resolução de enigma que não vejo,
Clareza, subtileza, ou atrevimento.
Deixá-la nunca foi o meu ensejo.

E os beijos deleitosos que depunha,
No rosto como flores depositadas,
Em campas de defuntos. Eu compunha
Músicas sempre de mãos atadas.

Etérea beleza não a contemplo,
Busco gestos ousadas entre as blusas
Erguendo em mente enorme e imenso templo,
E versos dedicando a outras musas.

Que faço, que mentira ando a viver,
Nunca saber quem fui ou que ‘inda sou
Não tenho agora nada p’ra dizer
E como o vento, tudo me levou.

Os mares cospem músicas horrendas,
Quando soprados ventos furiosos,
Abrem no mar profundo em vagas, fendas
Longe dos meus olhos curiosos.

Fico à espera que a noite embale em sono
No doce toque da minha almofada,
Sonhando vir a ser meu próprio dono,
Sonhando grandioso tudo e nada.

Andar perdido e diluído em tudo
Mendigando um canto maior, dif’rente
Serei espectro na eternidade mudo
Dormindo no meu sonho eternamente.

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