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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Venus e Marte

Rosa vermelha, flor do meu encanto,
Cravas no peito aguçados espinhos,
Olhas-me sem mácula, sem espanto,
Derrama em minha pele amargos vinhos,
Ó rosa diferente dos cravinhos,
Plantados no teu peito pra colher,
Um suco, um beijo, um laivo de prazer
Pelas pernas, correndo aos bocadinhos.
Tremes quais molhados passarinhos,
Se encostam no ninho quente se chove,
Não há em ti, ó rosa, bocadinhos
Em teu clássico corpo que reprove.
Eu vou descer à floresta encantada,
Os ventos invocando, em minha boca,
Eu vou soprar e tu, embriagada,
Cravas no leito as garras, linda e louca. 
Trinca-me flor, deliciosamente,
Como se fosse um fruto que devoras,
Enlouquecer-te vou naturalmente,
Com meus dedinhos que tu tanto adoras,
E teu lindo umbigo cola ao meu, flor
Ascende aos céus comigo por favor.
Humedece os teus lábios verticais,
Com cio, gata lânguida, encostada,
Soltando frases lindas, naturais,
Como a pantera negra saciada.
Com cavos sons, síncopes guturais,
Que Enchem voragens , preenchem vazios,
Ai quem me dera, ó flor do meu encanto,
Dulcíssima, humedecida em pranto,
Em ti, transbordar todos os teus rios.
Tendo nas mãos os teus seios gostosos,
Vou bolinar sem rumo nos teus mares,
Aventurar-me em fundos misteriosos
Uivando e revivendo os despertares,
E juntos, como cobras enroladas,
Uma dança macabra que imprimindo,
Um vivo presto, as bocas já coladas,
As doces contracções vamos sentindo.
Ver declinar no céu todos os sóis,
E ouvindo deleitados as pessoas,
Contando as coisas más, e nos lençóis
No morno, murmurar as coisas boas.
E ouvir qualquer cantor vindo da sala,
Ruminando em versos tão desconexos,
E novamente, a mão que nos embala,
Entrechocarmos outra vez os sexos,
Já gordos de prazer altivo e puro,
Com reflexos em ritmos afrouxados
Esperando que um membro recresce e duro,
Entre estranhas poses, equilibrados,
No quarto, paira odor humano e quente,
Tão quente quanto um Inferno escaldante,
Em sal ou suor purificados; mente
Tão limpa, como a Lua, lá, vibrante.

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