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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Delírios

Há um rio que nos separa, felizmente
Cativo, um fogo na escura caverna,
Eu tenho um deus do fogo que governa,
A chama perigosa e imprudente.
 
Numa hipnose infantil, oiço-te os passos,
Estremecem no chão da minha mente,
O rio que nos separa, infelizmente,
Transborda nos verdes campos, esparsos.
 
Mas penso nisto imenso e nada vejo,
Nem ponte extensa e frágil nos meus sonhos,
Feita com os teus olhares tristonhos,
Resolutos no ardente e fatal beijo.
 
Beijo, de serpente fria; prende
Veia, e se enrola nas pernas cravando,
Mandíbulas do Averno, retratando,
Quem vive este Romance e subentende.
 
Pende um nevoeiro, em frente, a ilha,
Prometida, que meu mundo compromete,
Será uma paixão que submete,
No teu rostinho oval o sol que brilha?
 
Amansa meu pensar, o meu delírio,
Da dor consciente da humana fraqueza
Da pele macia, a escura natureza
De desfolhar tão puro e branco lírio.
 
O caminhar solene, sem complexos,
O brilho intenso, o seu lindo sorriso,
Não posso pensar nisto, nem preciso,
Imaginar o entrechocar dos sexos.
 
Rosa vermelha, flor do meu encanto,
Tantas vezes ferido nos espinhos
Perdido e consolado em doces vinhos
Em noites engolindo o próprio pranto.
 
Tantos versos com meu sangue escritos,
E vacilante a minha alma dormente,
E quanto mais amava mais demente,
Estava, repelido quais mosquitos.
 
Que adornos podem ter rosas vermelhas,
De pérolas, rubis, topázios, gemas,
Eu quero que tu no meu corpo gemas,
Soltando, apertos, ais, quais tristes velhas.
 
Mas minha excelsa Andrómaca , bem quero,
Continuar a ter o teu olhar,
Meu lábio treme, de tanto te amar,
Que tento eliminar a voz de Homero.
 
Devo-te mais que a vida, um só instante,
A transparência dum lago profundo,
Sabendo que meu mundo é lá no fundo,
Sentido meu coração palpitante.
 
Parte a toda a brida, ó meu poema,
E num sussurro, canta-lhe aos ouvidos,
A prova no meu sangue dos sentidos,
Dizendo que me encontro num dilema:
 
Se o rasto hei-de seguir do Indefinido,
Se hei-de engolir inteiro este Universo,
Deixando-me nos olhos bem expresso,
O que não faz pra mim nenhum sentido.
 
E sê falcão real voando a pique,
Resposta dela, traz-me, do perdão,
Mesmo que seja um sim, que seja um não,
Pois pode haver, entre Ódio e Amor, despique.
 
Crava-me um ferro em brasa no meu ser,
Desperta-me com a luz que me alumia,
De Pégaso, dá-me ímpeto, ousadia,
E possa num momento converter,
 
Meu seco romantismo, inadequado
(Confesso: alheio ao Tempo, cego e mudo),
Não pode ser meu nada, ser meu tudo
No vento, este poema se espalhado.

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