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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Dementia (allegro)

Outubro 31, 2007

Instinto felino inspira-me o jeito,
Sem mágoa, defeito, sem mudança, ardor,
Os espinhos de rosa, roçam-me no peito,
De quem se alimenta somente de Amor.
 
Encontro vestígios na língua, na boca,
Quando me disferes um beijo sangrento,
Se de anjo, demónio, transformas se louca,
Me cedes sem culpa um abraço violento.
 
Teus lábios refrescam a culpa que tenho,
Que nascem no peito, na carne e na alma,
Afasga-me a dor - olhando-me estranho,
Se esquivo me torno, do beijo, da calma.
 
Tingem-se faces mimosas com cores,
De Auroras de frescas manhãs dum Outono,
Tão cândido e leve, repleto de amores,
Que beijam lençóis manchados do sono.
 
Já vejo o cardume de luzes no rio,
Correndo sem fim, sem ser seu ofício,
E ansioso me torno e percorre-me um frio,
Quando a pena desliza e desenha o suplício.
 
Estreito-me louco, manchado de tanta,
Tormenta deixada num passado escuro
Como aves deixando o que tanto me encanta,
Voando do ramo, poisando no muro.
 
No feno deitado, se encolhe um leopardo,
Tingido de tinta quais versos que canto,
Com olhos me prende tornando-me pardo,
Na pele rosada caiada de espanto.
 
Percorre-me ardor de velha serpente,
Rasteja tão perto que me lança paixão,
Conhece-me ao longe, apaga-me a mente,
Morde-me um bocado do meu coração.
 
E aplaudem as árvores, do entrechocar,
Das folhas que cantam uma efervescência,
Não tenho passado pra melhor me olhar,
Nem tenho dos versos clara consciência.
 
Inspiro qual mar rodando nas praias,
Se Tétis , bondosa, murmura tão perto,
Que: “Tenho frescura debaixo das saias”
E feroz Neptuno, torna-se desperto.
 
Se ouvisse o cantar da deusa gentil,
Na morada marítima eu mergulhava,
Perdeu-se meu ser num cântico vil,
Se a todos ouvisse, meu Sol desbotava,
 
Com nuvens cobria os campos extensos,
De verdes, de cores tão belas de ver,
São actos de amor profundos, intensos
Que posso cantar, se bem aprender.
 
É cisma, loucura, birra de criança,
Meus versos escritos que escrevo sem cor,
Confesso que tenho uma vaga esperança,
Varrer desta inquieta alma o acre torpor

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