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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

O Rouxinol

Setembro 12, 2007

Tão radiante rouxinol cantava,
Entre a verde folhagem que trazia,
A melodia nítida e tratava,
De me cantar durante a noite e dia.
Mas de repente seu canto cessava,
Clarões iluminavam a Terra inteira
A tempestade ao longe anunciava,
Que era potente, ousada e verdadeira.
Primeiros ventos à frente mandava,
Uivar, para que o mundo recolhesse,
E ao céu a cor da Morte lhe emprestava,
Cor de escuras flores que colhesse.
 
Quieto o rouxinol já não trazia,
A cor de alva alegria que emprestava,
As calorosas noites de poesia,
De versos que escrevia e me lembrava.
Estremeci ao ver que o céu jazia,
Na tumular borrasca que sonhava,
Escoar a gente humana que dizia:
“Vai chover tanto!” E a chuva desabava,
Impiedosa, em gotas grossas. Via
Lúgubres cores que no céu espalhava,
E a Terra, atenta e quieta, dividia,
A gente, que no sono se embrenhava.
 
De súbito do rouxinol lembrei,
Que a tempestade, a força lhe afrouxava
Da janela do lar, por ele esperei
Ouvindo atentamente se cantava,
Mas não vinha. E então, eu me deitei,
E no mundo dos sonhos mergulhava.
Nascia o dia, a Aurora, e bocejei,
Porque o sono, na alma se colava.
Mas eis, com a luz clara, eu despertei,
Com canto conhecido e me espalhava,
A esperança de voltar a ver e pensei,
Que novamente, o rouxinol cantava.

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