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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Livro Fechado

Talvez seja um disfarce esta tristeza
Turvando os fiéis traços do meu rosto,
Da terra, a verde pele, a Natureza.
 
Vida, que oferece um vasto gosto
Triste quem planta à volta a etérea b'leza
Amá-la, traz fortuna, traz desgosto.
 
Apaixonado por quem paixão sente,
Sem traço, sem limite, nem muralha,
Sem na boca deixar verso pendente,
 
Assusta quem nas sombras se atrapalha,
Que a liberdade as trevas não consente,
Prendendo quem luzidio Amor não espalha.
 
Poetas do meu tempo: agora, erguei-vos,
Brandindo afiadas penas tão penosas,
Vivendo à margem, da Beleza escravos,
 
Que ardor vos tome em horas langorosas,
Tristes, como são tristes os cravos,
Crescendo pelas ruas revoltosas.
 
Pelos jardins de estátuas brancas passem
De mármore ancestral, de tempo antigo
Como se, com vida, pedras curassem
 
Assim, o vosso rasto, eu fiel sigo
Como o curso de nuvens que passassem,
Sem, por perto, ter caloroso abrigo.
 
Ergam-se, ousados, livres, destemidos
As águas límpidas calmas levando,
Os versos que nos vidros são metidos,
 
Uma nova esperança vão nos dando,
Como portos seguros dessas Didos
Por quem nos vamos tanto apaixonando.
 
Vivem somente à noite escura. O dia,
Não é mais que passeio pelo rio,
Do tédio, imundo, mancha em poesia,
 
Cobre o manto o rosto deste frio,
Tremendo, quais asas da cotovia
Cantando como nunca alguém ouviu.
 
Prazeres não são pompas de banquetes,
Nem pedras preciosas, ouro vil,
Secas folhas fazem ricos tapetes.
 
Nunca vestem manto da cor do ardil,
Revestindo cortinas dos palacetes,
E espelhos, falsos reis, negro covil.
 
Música, acompanha o coração,
No sucumbir das horas, sem vontade
De mão estender a quem pede por pão.
 
Brioso porte, a nobre gesto atendo,
Abertas portas do império fundado
Dentro de mim, são livros que vou lendo,
Mas como sou, lê-me: um livro fechado...

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