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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Um grito

fui posto de parte de círculos mágicos
por culpa própria, à parte ser vencido
gostava dos tempos de tresloucado e trágico
sem amar e ser amado ou anoitecido

 

nas manhãs de verão que nunca me chegaram

nem românticas noites que tenha vivido
foram anjos e demónios que me condenaram
em cada passo dado, um passo corrigido

 

meu blazer de veludo preto amarrotado
do uso, condenado ao lixo, não servia
sentia-me encolhido, para mim, era fadado
às estéticas mais poéticas que recolhia

 

era um escudo de bronze do mítico Aquiles
que repelia opiniões que me causavam danos
das visões prefiro as do nobre Aristides
que salvou vidas às escondidas dos tiranos

 

A minha tristeza nascera há muito tempo
chorei quando sentado sozinho numa mesa
mas não tenho a certeza se foi em Setembro
se era essa minha incómoda natureza

 

nunca enganei um amigo, menos uma estrela
vi cassiopeias fixas presas por arames
um frio assassino ver que a vida é bela
também que sofre hemorragias e derrames

 

levo as mão ao bolsos rotos, qualquer mito
que falta, me emitindo pulsações nervosas
em jactos de cristal cuspidos, como um grito
chamando aflitivos nossas mães extremosas

 

como sentir as palmas das mãos humedecidas
ou o cheiro da terra de manhãs orvalhadas
eu sinto que vivo às cegas e às escondidas
em manhãs sem sol ao fracasso condenadas.

A Sombra

Paira no mundo uma sombra desigual

que rima com medo, terror e romantismo

um pássaro fúnebre, príncipe do mal

que à suprema razão provoca estigmatismo

 

convertem-se pessoas num rio indigente

onde lobos viajam com pele de ovelhas

o amor é-lhes o milho incómodo nos dentes

no mar, as ondas brancas tingem de vermelho

 

à Humanidade pregam ferrugento prego

que não há Cristo vivo que estender nos queira

as mãos ensanguentadas, sem no mundo emprego

a Morte, essa já tem emprego de coveira

 

lunático político no dorso do míssil

rasgando céus de cinza, pó e fumo negro

louco, pirotécnico, de erecção difícil

recebe este poema, ferrugento prego

 

na tua mão direita, na tua mão esquerda

nos pés, no coração, jorrando da cabeça

urgente solução, para estancar a perda

dos filhos da Terra que mataste depressa

O rádio

Desligo o rádio

para escutar

a estação

da minha vida

 

desligo o ácido

do estômago

para chorar

uma partida

 

sorrio a brasa

do fogo

que há no seio

do meu abrigo

 

 

recuo alado

do enfado

na sentença

sem medida

 

de cor violácea

é este céu

opressor

na despedida

 

desço o degrau

ansioso

para te ver

na escadaria

 

fazendo um laço

ato o meu nome

ao coração

quase partido

No Pátio das Promessas

Que tédio, a vida, duas linhas bastariam

tudo é digno de registo pois me sobra

tempo, que do tempo muitos me diriam

que lhes falta sempre. Tem mais o tempo a cobra

 

da presa anda à procura, no silêncio, ávida

porque precisa por o seu veneno em dia

e num cruel momento, a cobra fria, sábia

ao destino indefinido, a presa sentencia

 

no Pátio das Promessas, onde os sonhos brincam

dormem às janelas lírios inocentes

todos os sonhos fogem, só os versos ficam

na timidez do sol, no pânico de sempre

A velhota

Não basta um conjunto de palavras, no poema

os contornos das coisas ampliam o sentir

como ver nos céus de fogo Lucifer a refulgir

e desse refulgir viesse força e alto tema

 

a velhota desdentada que olhava para mim

lançou-me um olhar de passado comovente

corrigir e reviver, o tempo não consente

há um adeus diariamente, essa palavra fim

 

somos felizes, sem sabermos, nestas horas

de passeios iguais impessoais e impossíveis

de repeti-los incautos num futuro longínquo

 

é como andar de barco, é como ver em branco

de experimentar silêncios nos versos indizíveis

sabendo que o destino nos tornará distintos

Entregue ao tempo

Que as novidades chegam sempre cedo,

como pão quente e manteiga derretida

que a humanidade não encontra uma saída

e a solução passa por ser pânico e medo

 

nos dias em que o sol nunca aparecia tarde

nem a primavera era opressiva trovoada

vivo numa angústia de alma avariada

como floresta portuguesa que sempre arde.

 

bela Lisboa, que és antiga e não és moça

para mim, tu és charmosa igual a um vinho

que nos cai pela goela e nos faz novos

 

que é feito do teu sol que em ti se roça

e nos coloca flores nos vasos do destino

sem importar-se com o destino dos povos

Negócios

Ao Carrudo, ao Costinha, ao Guifes...

 

Não quis que fosse poema este que vos escrevo

(acaba de sair a alegre mamalhuda)

e tive essa vontade de escrever-vos membro

dessa amizade imensa, estável e carruda

 

e assim eu dei por mim a reunir palavras

legítimas na minha amada servidão

que algumas juntas dão-me coisas muito parvas

mas soltas aos amigos cantam solidão.

 

que é solidão que sinto por não ter-vos perto

a rir e a fazer rir, o riso é uma benção

iguais aqueles lapsos escritos no caderno

que em miúdo eu anotava tudo. Agora esqueçam

 

não sei quanto a vocês mas penso muito nisto

que vamos já a meio da longa jornada

e a dúvida íntima resume-se a isto

se há boi hercúleo em mim que inverta esta tourada

 

tourada acatar ordens dadas por idiotas

e dedicar-me a tempo inteiro à idiotice

e ouvir clichés foleiros como “um par de botas”

“sair de zonas de conforto” e outras paneleirices

 

de lençol bem torcido e escudo de almofada

eu luto contra quem me quer a alma infecta

porque foram princesas num conto de fadas

que dão fodas a menos por quem eu defeco

 

gostava não sentir o pânico das horas

em cada tique taque ouvir essa pergunta

Pungente, sensual: “que queres tu agora

da vida?”, e sentir que a vontade é defunta

 

o Guifes luta tanto, tanto, incansável

à procura dum porto artístico, inseguro

tornou-se da comédia amante inseparável

por não querer viver mais nesta noite escura

 

Carrudo, tu que observas com visão da águia

que ao longe a presa vês, serás capaz de ver

se queres continuar ser peixe fora de água

estou certo que outra coisa tu gostavas ser

 

simplifiquemos essas ânsias de negócio

confesso, não me puxa o risco, sou cobarde

eu não me vejo a ser dos meus amigos sócio

antes que sejam só amigos sem alarde

Os versos engolidos

e quanto mais o tempo se me inclina

e a dor de sentir menos me ultrapassa

as horas tornam-se aves de rapina

e os minutos roídos pela traça

 

e na verdade o medo diminui,

ao mesmo tempo que este tempo aumenta

sobra a saudade, a dor sublime influi

Amor maior que a vida me sustenta

 

longos delírios são meus solilóquios

deuses por testemunhas, companhias

na língua, um tilintar de velharias

 

sobre os meus pés, de sonos e colóquios

de céu e sol, jibóias e serpentes

engulo versos que não passam dentes

A mão invisível

Os rostos lunares tombavam   olhos tortos

abrindo páginas escritas com vazio

vivem como se a morte alheia viesse e mortos

tremem de solidão, de fome de nada, e frio.

 

escorrem-me dos olhos lágrimas de fogo

caminho num pomar de frutos proibidos

não sinto os meus sentidos torpes submetidos

a indefinidas forças ou peças dum jogo.

 

somos lixo universal génios da garrafa

nem esta mão que tapa a boca cala a minha

em verso nesta mesa posta à eternidade

 

a garra que me ferra é a mesma que essa faca

que cedo me atravessa de manhã a espinha

que arrepio que sinto não ter liberdade

Chapéu de palha

De tudo o que podia fazer e nunca faço

ou que podia erguer mas que nunca ergo

da reestruturação da idade e do espaço

sentindo o universo preso com um prego

 

ou fita cola adesiva como a infância

ter passado tão depressa como eu a vivi

e nesta idade adulta ainda ser criança

e nestes anos ver as vezes que morri

 

e ver que sou igual a este verme que anda

a revolver o solo a ver se o vendaval

não chega, e se chegar, que seja como o panda

rotundo a rebolar no mundo desigual

 

O que é da vida não mais do que o estômago

Se o pombo diligente viva da migalha

E por promessas não cumpridas, o meu âmago

É um disco voador como um chapéu de palha?

outro igual degredo

Em cada ofício há dores e cansaços vis

rostos e olhos baços, vítreos, instrumentais

crescem-me ânsias-trepadeiras de escrever

a tinta permanente poéticos punhais

 

ser vírgula no papel infinito no átrio

do céu ou sentir solidões de baleia

azul, ou ser chefe de turma ou de pátio

que presídio existir sem versos e ideias

 

redimir-me sou insolente, a minha infância

fechou-me portas com estrondo muito cedo

tabefe injusto de mão suja a uma criança

 

sentir-me que estou vivo às vezes mete medo

como sentir o peito a germinar esperança

que nos conduz e leva a outro igual degredo

O Príncipe Imperfeito

ninguém por perto, vento, dunas no deserto.

e se saísse agora? não dariam conta

o silêncio permitido é um sol descaído

igual ao gorila irado que nos confronta.

 

perdi sonhos coloridos, a alma labiríntica

são túneis e trincheiras na terra escavados

se lúcido dormisse num copo de absinto

degolaria o tédio e sono mascarados

 

a obrigatoriedade do Halloween, são dias

que nego fantasias e dentes postiços

prefiro carnavais, orgias, bacanais

charcutarias tais, presuntos e chouriços

 

a penumbra fria sepulcral da igreja

vitrais multicolores lindos atractivos

é gárgula sombria que inspira suspeitas

a transformar-se em Cristo vago, pensativo

 

seca, poeira ao vento, voo em pensamento

em fios finíssimos quase imperceptíveis

de seda, aranhas tais que tecem esquecimento

fugindo das pessoas más, incorrigíveis

 

prova-me o contrário, eu te farei sinal

para que entres no palácio de pó e nada

ajuda-me a tirar adagas e punhais

que em mim próprio cravei por me sentir errado

 

inadaptável a ginásios, restaurantes

chiques, carros caros e viagens paraísos

a camas giratórias, quartos flutuantes

em hotéis que arranham céus de infinitos pisos

 

a vidas impossíveis, espantosos vulcões

a trabalhos iguais a plantas carnívoras

que devoram vidas, almas, corações

criança a aproximar-se dum ninho de víboras

 

de Aquiles temíveis e Ulisses geniais

que ordenam o mundo como lhes compete

que de ansiedade ou medo nunca dão sinais

seguidos por exércitos, trompas e trompetes

 

todos maravilhas, puros predadores

felinos, canibais que comem as mulheres

intrépidos gurus no amor sem dissabores

que angélicos subiram ao céu dos prazeres

 

deuses detentores de alta sabedoria

incrível, sabem tudo: política, ciências

física, engenharia, química, economia

que Deus, o próprio, inveja excelsa inteligência

 

conhecem a fundo o mistério divino

e conhecem actrizes famosas, pessoalmente

que a Morte beijaram, enganando o destino

e nas filas passam a humanidade à frente

 

abraço solidário a solidão dos fracos

escolho ser sozinho, sou príncipe imperfeito

a chafurdar na lama, a caminhar nos charcos

para ser perfeito eu nunca tive muito jeito

Subterrâneos

Vou por subterrâneos doentios onde habitam

as mais obscuras e perversas criaturas

onde prósperos noctívagos corvos crocitam

lúgubres melodias por recantos escuros
 

um velho a chapinhar com olhos nesses seios

de jovens que se empolgam no vácuo, com saltos

altos. Talvez seja o meu retrato, creio

podendo o meu futuro ser duro basalto
  

dilatadas, as narinas apuram mil essências

descobrem no ar aromas, desperdício e morte

de esbugalhados olhos, líquidos e ausentes

sinto cintilações de vícios de grande porte

deixa-me dar à chave e dar-se a combustão

beijando, musa, as partes lúcidas da Lua

cheia sem queixar-me fraco é o coração

grito o purpúreo sangue vivo que me insufle

 

deixa-me mergulhar no caos, dança da noite

de fumos em espiral de cápsulas humanas

por estes subterrâneos deambulando sou

mais corvo que os corvos, mais fraco que os humanos 

O duende

Muitas vezes dou por mim a olhar o vazio

como um filme épico assistisse no vácuo

de súbito um duende esverdeado e doentio

vestiu-se de tédio e tornou-se-me obstáculo

 

esta permanente quietude até a Morte

inveja como a carne e osso que nos quer

tia da família, que nos escolhe à sorte

o próximo a ir com ela por puro prazer

 

duende, que nos sonhos vestes cor da febre

que me inundas o rosto de sal e suor

tomemos um vinho à tua saúde à minha

 

porque desconheces o vulcânico amor

na alegria te espantas, foges como a lebre

como se a vida fosse um arrepio na espinha

Inspiração

As nossas bocas frescas, frutos proibidos
fundidas em minutos feitos em segundos
entre esponjosos sons de líquidos ruídos
desfalecendo juntos como moribundos

nessa artística eloquência crónica e antiga
como passar o tempo a olhar corpos desnudos
entre seios, pinturas frescas, perna e liga
entre abertos corpetes de pele e veludo

essa tua imensa boca doce como um fruto
colhido ao meu cuidado de baralho e dedos
da fome cavernosa, como homem de gruta
cisne que desliza no lago dos teus medos

cansei-me, o que me espera sem saber porquê
do bikini cinzento aos braços que me abriam
portas ao erotismo que murmuram 'vês'
de vulva, de vagina, que me entonteciam

aberto ao meio eu sinto a vida a abandonar-me
suspiro derradeiro, António moribundo
a falta que me faz o adeus a rechaçar-me 
talvez eu não pertença mais a este mundo

Quando nos sangra o coração

Poderei um dia dar-te a mão

à chuva, na lama, no paraíso

na haste do narciso indeciso

onde me atiro em vão sem querer

entre o querer e

não poder

 

Poderei um dia inventar-te um deus

verdadeiro, que aparecesse de vez

entre as nuvens e que a todos nos falasse

e nos salvasse

desta nossa mesquinhez

 

Os jornais mentem diariamente

e são diários. Há quem consuma
mais do que pode a pobre mente

sádicos e curiosos são da mesma turma

que da nossa pobre e boa gente

as vidas vazias e sonhos fuma


Podia dar-te o meu afia

com que se afia o estro e dar

poemas malditos que mais esperas

e desesperas nos teus dias

que fosse um eco no infinito

o amor em verso no ar proscrito

 

Se houvesse um deus, eu lhe daria

da terra ao céu a direcção

e a indicação da poesia

quando nos sangra o coração

A mulher

Esse jogo sensível de mikado que é tocar

nesse sensibilíssimo seio de mulher

erro do homem querer o caos organizar

quando o caos não sabe bem o que quer

 

contradição, pois que em volta de si faz

a harmonia com mãos mágicas suaves

desarma ódios e a ira masculina desfaz

com meiguice no olhar e piar doce das aves

 

ilhas de paraísos rodeadas de fúria azul

marítimas, flores perseguidas por vermes,

dolentes, aos ventos ousados do sul

 

gavetas fundas para inúteis parasitas

lar de idosos para vigorosos germes

assim a mão me acenas, e alma me agitas

cada segundo...

lembra-te: que os teus dias sejam despedidas.

as horas triviais eternas, gozos infindos

a Morte, diariamente, tira-nos as medidas

modista nas esquinas, poética, sorrindo

 

espera-nos a derrota, inevitável de evitá-la

retê-la nos dias de ecos no infinito

é inútil, nada podemos, tenta enganá-la

só contra o Homem somos donos do destino

 

na caça insaciável, leoa a arreganhar-nos

mandíbulas terríveis, sem boca, incorpórea

escondida num covil, no sótão, no armário

ignoremos-lhe os crimes cometidos na História

 

o chá bebido, o prato, o vinho, o retinir

de copos, cada folha, tronco ou gota de água

cada sorriso, o riso, a lágrima, o dirimir

da dor mortal sabermos dessa eterna mágoa

 

a tua mão caber na minha, o agasalhar-te

ainda, ouvir-te a voz angélica, teu sorriso

lembrando planícies amplas iluminadas

é um sol nascido puro a oeste do paraíso

Duelo

O discurso militar na língua dos idiotas

a ditadura insana dum guloso imundo

uma ave de rapina é mais poliglota

e o canto entendido nos quatro cantos do mundo

 

em pratos polidos de prata reluzente

banquetes onde o vinho escorre em cataratas

onde o músico é surdo e cega a sóbria gente

e o escorpião é rei, rainha uma barata.

 

um tiro na cabeça do que invoca a fome,

e à força bruta quer pintar os céus de fogo

buraco negro gordo enquanto o povo dorme

fantoche, marioneta (de quem? interrogo…)

 

 Papá, valia mais jogarem à macaca

um jogo que jogassem logo muito cedo

ganharia o que deitasse fora a sua faca

e convertesse em esperança o corrosivo medo

 

e não deixasse nunca abrir-se esses portões

de silos e paióis, de anéis largos de fumo

de bombas de hidrogénio e bombas de protões

cuidado se os maus hábitos viram bons costumes

Obscuro

Fosse a minha alma um pião tonto, eu tocaria

o corpete preto e prateado da lua fria

e seguiria o curso igual da eternidade

buscando, como um Buda, a mais cruel verdade

 

rasgamos céus de cinza onde nos encontrámos

de íngremes escadarias de frágil esferovite

pairamos com estrelas que em vida recortámos

e que o Tempo nos viu e ofereceu convites

 

ó hora das dissonantes vozes na cabeça

tentai esmagar um pêssego na mão e verás

um túmulo discreto no seio da natureza

vê como o poema em versos tristes se desfaz,

 

como desmascarar as farsas do costume

na mão, sempre a maçã, o crime no seu peito

como esse gosto azedo imposto pelo ciúme

lama atirada ao rosto imberbe do respeito

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