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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Na Rua da Minha Infância

As oliveiras lá estavam, como sempre,

Flores harmoniosas cresciam no verde lar

Os muros das bermas da estrada, o asfalto

Papel negro das crianças incautas de giz na mão

Havia menos carros, mais espaço, havia gente

O ar enchia-se de risos, propagava-se inocência

O sol era diferente, alumiava o mundo, era mais puro

As nuvens desenhavam castelos no azul macio do céu

Paisagem que Monet retrataria se fosse vivo.

No meio do entulho haviam autênticos tesouros

Era preciso ser-se curioso, não ter medo

Para encontrá-los e guardá-los de olhos salteadores.

Havia Dickens nos rostos rudes dos adultos

Jane Austen nas adolescentes comprometidas

Contos de fadas nos olhos de minhas tias

Sonhando que um dia sairiam dali para sempre

Daquele lugar que amei e serem felizes,

Mas hoje raras vezes vejo-as felizes quando as encontro.

O homem dos gelados refrescava as tardes quentes

E de noite, a campainha da porta da casa dos meus avós

Trazia-me novidades da vida ainda interdita.

Que conto de Natal se lá dormisse!

E os motores dos aviões do aeroporto ao lado

Era a caixinha de música moderna de agora;

No Verão, a noite parecia um Van Gogh adormecido

Em sonhos nostálgicos de visões oblíquas

E de manhã, despertava dum sono sincero

Arcos do triunfo e rosas decoravam-me o rosto.

O sorriso bondoso da minha avó presente

O olhar vago e azul do meu avô à janela,

Os meus pais, ao longe, no caminho de terra…

A vida fervilhava no jardim da minha infância

Donde dolorosa esta saudade me sufoca,

Trocista tortura-me fria e cruel

Rindo-se ao sabor do tempo dos meus dias felizes

Porque a mudança é terrível

Ao olharmos e não nos vermos mais

A caminhar pela rua da nossa infância.

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