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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Negócios

Ao Carrudo, ao Costinha, ao Guifes...

 

Não quis que fosse poema este que vos escrevo

(acaba de sair a alegre mamalhuda)

e tive essa vontade de escrever-vos membro

dessa amizade imensa, estável e carruda

 

e assim eu dei por mim a reunir palavras

legítimas na minha amada servidão

que algumas juntas dão-me coisas muito parvas

mas soltas aos amigos cantam solidão.

 

que é solidão que sinto por não ter-vos perto

a rir e a fazer rir, o riso é uma benção

iguais aqueles lapsos escritos no caderno

que em miúdo eu anotava tudo. Agora esqueçam

 

não sei quanto a vocês mas penso muito nisto

que vamos já a meio da longa jornada

e a dúvida íntima resume-se a isto

se há boi hercúleo em mim que inverta esta tourada

 

tourada acatar ordens dadas por idiotas

e dedicar-me a tempo inteiro à idiotice

e ouvir clichés foleiros como “um par de botas”

“sair de zonas de conforto” e outras paneleirices

 

de lençol bem torcido e escudo de almofada

eu luto contra quem me quer a alma infecta

porque foram princesas num conto de fadas

que dão fodas a menos por quem eu defeco

 

gostava não sentir o pânico das horas

em cada tique taque ouvir essa pergunta

Pungente, sensual: “que queres tu agora

da vida?”, e sentir que a vontade é defunta

 

o Guifes luta tanto, tanto, incansável

à procura dum porto artístico, inseguro

tornou-se da comédia amante inseparável

por não querer viver mais nesta noite escura

 

Carrudo, tu que observas com visão da águia

que ao longe a presa vês, serás capaz de ver

se queres continuar ser peixe fora de água

estou certo que outra coisa tu gostavas ser

 

simplifiquemos essas ânsias de negócio

confesso, não me puxa o risco, sou cobarde

eu não me vejo a ser dos meus amigos sócio

antes que sejam só amigos sem alarde

Os versos engolidos

e quanto mais o tempo se me inclina

e a dor de sentir menos me ultrapassa

as horas tornam-se aves de rapina

e os minutos roídos pela traça

 

e na verdade o medo diminui,

ao mesmo tempo que este tempo aumenta

sobra a saudade, a dor sublime influi

Amor maior que a vida me sustenta

 

longos delírios são meus solilóquios

deuses por testemunhas, companhias

na língua, um tilintar de velharias

 

sobre os meus pés, de sonos e colóquios

de céu e sol, jibóias e serpentes

engulo versos que não passam dentes

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