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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Uma noite...

Uma nesga de mar no teu decote

Um pórtico, um altar a Artemisa

Uma liça de lençóis nesta noite

Um pôr em prática versos de Ovídio,

Uma luz de halogéneo em mim revolto

Em espuma granjeada na volúpia

 

Um segredo revelado no mistério

Envolto em bruma quando estás vestida

Um dedo a mergulhar no fogo etéreo

O revirar dos olhos que intimida

A sombra a embrulhar-se sem remédio

No invólucro dos corpos que se avistam

 

Um fruto saboroso nos teus lábios

Teu peito, a revelar-se em duas rimas

Teu corpo de luar sobre Calábria

Que aperto estreito quando nos sentimos

Unidos, cúmplices no mesmo assalto

Roubamos tempo ao Tempo. Em fim, sorrimos.

O Mundo visto das nuvens

Visto das nuvens, neste pássaro de aço

Que faz do mundo imenso uma pequena aldeia

O sol é um candeeiro aceso no espaço

E a Lua, uma luz de presença, prazenteira.

 

Numa cesta de verga pus leis, religiões

A fome, a doença, a guerra, a morte, a vida inútil

A Terra, azul vestida, arranca corações.

Das alturas, parecia absurda mulher fútil

 

Ó verme, tu que habitas a rosa vermelha

Que cresce no jardim à sombra do meu lar

Agora te compreendo, ambos somos iguais

 

Ó Homem, tu que habitas a rosa mais velha

Deste orbe azul terrestre, quando irás cessar

Tuas obras mesquinhas de vermes banais?

Invoco-te, Inverno

Invoco-te, também, Inverno inimigo

Das líquidas canções, do chapinhar constante

Do frio a enregelar-nos a alma sem abrigo

Dos baixos céus de cinza e vento agonizante,

 

De plátanos despidos, de árvores sem flor

Das tuas barbas brancas, noites ancestrais

E da aflição do poeta desmanchar em cor

O esquálido mundo com versos triviais.

 

Perséfone, eu te invoco do teu escuro trono

Mima esse obscuro deus que acolhe as almas mortas

Sombrio, em seu palácio, onde o Estígio banha

 

Ignora, pois o Verão inspira tédio e sono

Que mato com licor do deus das pernas tortas

Sentindo a vida inútil cada vez mais estranha

Invoco-te, Outono...

O sol já vai perdendo algum vigor, afrouxa.

Soberbo, esta manhã, como um pavão vaidoso

Debruçado nas nuvens exibia glorioso

Suas douradas penas, a uma nuvem roxa

 

Alegra-te, ó poeta, o Outono chegará

Que o estio inspira o ócio e o verso arrastado

Inocente prisioneiro ocioso, condenado

Que indubitavelmente o Tempo ignorará.

 

Invoco-te, Outono, tua melancolia

Teus redemoinhos doces, quando irados ventos

São hooligans à solta, como cães sem trela

 

Gemo por arrastar-me, engulo esta agonia

Não ouvir rugir a fera nos meus sentimentos

Fechados, divagando loucos numa cela

Tinta permanente

Escreve a tinta permanente, cravas pra sempre

Como esculpidas palavras num dorso granítico

Tuas memórias de lord. O tempo que lembre

A voz do teu amor com ouvidos de tísico

 

Regista algo só teu, é um bom exercício

Mesmo que estranho te soe “rosas de Marte”

Ou lírios, violetas, antúrios vindos de Júpiter

Esse pulsante absurdo em ti, é arte, é arte

 

Meus velhos manuscritos soam melodias

Dos cânticos boémios dos meus anos de ouro

Que o tempo vai trazendo pó e esquecimento

 

São sonatas, sonetos, longas sinfonias

Um X no invisível onde há um tesouro

Escondido por um deus doentio, avarento

Olhos verdes

Ela tem os olhos verdes, muito verdes, verdes, verdes

São florestas encantadas, sossegadas, bem cuidadas,

Os seus olhos tão brilhantes, coruscantes, cintilantes

São estrelas cá na terra, lá na serra, sem a guerra

 

Ela tem olhos aquosos, luminosos, lacrimosos

Nunca vi olhos tão verdes, como vales verdes raros

Cá na terra, sem a guerra, luminosos, lindos, claros

São esmeraldas de rainha; verdes vinhas tão verdinhas

 

Que prazer é contemplá-los, penetrá-los e cantá-los

Que de olhá-los flutuamos pelo ar e repousamos

Que desarmam quem se arma, sedutores, ditadores

De tão belos, só de vê-los, arrepiam-se os cabelos

 

São jardins da Babilónia, da Ausónia, de Versailles

Cuja verde cor dos olhos, nunca mais da mente sai

Tem uns olhos de bonança, de criança, de esperança

São os olhos que eu mais quero. Se perdê-los, desespero

Poema ou suicídio

Não há com quem falar de poesia

Só sobre a chuva, crise e futebol

Se um verso declamasse, alguém diria:

Que: “um louco há entre nós que se acha o Sol”

 

Brilho irisado no ventre dos copos

Balão de vidro, onde a água balança

O estilo açucarado que há nos corpos

De pérola incrustada na esperança.

 

Não há com quem falar de quase nada

Tombam o olhar, buscam o que não busco

Mundo em miniatura que me enfada

Um poema a suicidar-se, lusco fusco

Negros anos

Chamavam-me vampiro, Drácula, coveiro

A palidez mortal do rosto era doentia

Vestia-me de sombra negra, desordeiro

Escondia-me do sol. À noite, é que vivia.

 

A minha juventude foi de romantismo.

Para os que sabem bem o que isto significa

O amor revestia-se de puro misticismo

Eu era um alvo fácil para a dura crítica.

 

Os livros de olhos felinos me seduziam

Que abertos, ampliam espíritos fechados

Nas horas do tédio, os livros reduziam

Aquela amargura aos mais inadaptados.

 

Ergui meu El Dorado, papéis manuscritos

Jardins de metáforas floresciam no rosto

Era amante da Lua, rainha dos malditos

Seguidor da Beleza, o Sol era o desgosto

 

Poético era o sangue em fluxos irreais

Meus sonhos infundados não traziam lucro

Seguia, atentamente, os gatos nos beirais

Das janelas, que miavam: “Este, está maluco”

 

De amores, as mulheres, meu jardim calcaram

Os roseirais quebrados, lírios adoeciam

Unânimes, cruéis Erínias me assaltavam

Os nervos de violino, e cedo, enfim, partiam

 

A música era esposa, amante, a poesia

Amigos, eram anjos lúcidos no mundo

Sofriam ver-me triste, vago à luz do dia

Como se, inutilmente, fosse um vagabundo

 

Como campo em ruínas, selvagem, inculto

Ardia tudo à volta no meu coração

Fui Nero e própria Roma antiga onde fiz culto

Do fogo posto em mim, fui criminosa mão.

 

Ó poema agrilhoado, no alto da montanha

Sou Prometeu bicado pela águia de Zeus

Por mais que este castigo seja coisa estranha

Estes intempestivos anos foram meus

Desejos proibidos

Há desejos ardentes que no peito habitam

De pronto reprimidos

Nas áreas interditas, que a sangue delimitam

Desejos proibidos.

 

Experimentem penetrar os olhos sonhadores

De homens e mulheres

Na tumba glacial do peito, reveladores

De esqueléticos prazeres.

 

Debaixo do colchão da alma há imundície

É o sono da Beleza

Esperando beijo ardente onde ninguém visse

O dom da Natureza.

 

Maior das ironias está em quem proíbe

Que julga o pecador

Mas trinca mais maçãs, tão podre, tudo inibe

De infâncias, roubador.

 

Ó coração inquieto, cemitério hediondo

De íntimos impulsos

No fogo, a interdição, é lenha que vai pondo

Nos peitos convulsos

 

Vives na prisão, és uma inútil jaula

Onde a fera dorme

Meu coração felino, és tigre de Bengala

Se tens fome, come

Um copo de água

Bebi um copo de água

Cantei a minha vida

Era fresca como a mágoa

refresquei a despedida,

 

Bebi num golo forte

Repentino, promissor

Como o beijo da morte

Nosso único professor

 

Bebi embriagado

E fiz da água vinho

Bebi crucificado

Licor do meu destino

 

Bebi como estivesse

Às portas dum deserto

E o sol me prometesse

Ficar nele encoberto

 

Bebi fonte da vida

Ao calor do meu querer

Minha alma é conhecida

Por querer e não poder

 

Bebi um sonho fresco

Dum poema decorado

Sem grau de parentesco

Com Deus e co’ o Diabo

 

Bebi como do seio

Materno, o sacro leite

Sem entrave, sem receio

Nem leito onde me deite

 

Bebi, não dei por nada

Sonolento, acordei

Era sonho, a madrugada

Era noite... e despertei

Poema em miniautra

Tenho a tristeza da pedra inerte

Esperando ser apanhada por uma criança,

Para atirar-me ao rio por culpa do destino

E da natureza verde que o rodeia

Raios de sol no vitral dos seus olhos.

Tenho mais ânsias que sonhos. Não tenho

No meu currículo medalhas de ouro

Em que tenha sido vencedor num momento

Que provoquei riso e se riram de mim.

 

Rubro, meu sangue, desaguará no mar

E as deusas não criarão anémonas

Em minha honra. Acolho-me

Nesta redoma de vidro inquebrantável

Lugar vazio de música, cor e palavras

Sem silêncio meditativo,

Sem lembrança degenerativa,

E vou apagando no caminho o rastro deixado

Incapaz de ser o que fui

Fugindo de mim…

 

Continua, continua, a cicatriz é o tempo

Avistarás terra segura no tumulto azul

Robinson Crusoe dos tempos modernos

Náufrago na espuma branca efervescente

Sátiro de si próprio, político de si mesmo

Mas enquanto não encontro o que procuro

Enquanto sou horizonte inalcançável

Oiço rachar troncos de carvalho no coração

E sou luz de candeeiro aceso na noite

Como o céu nocturno se esquecera

De apagar a Lua…

Notícias

Fala como tivesse um revólver apontado

À cabeça, contraditória ao que pensa

As notícias cravam adagas, e esfaqueado

O espectador digere sua dor intensa.

 

E como um colibri que vai de flor em flor

Com milhões de asas seu voo sustenta

A gravidade da notícia tem a cor,

Que vai rapidamente do oito ao oitenta.

 

O sorriso do pivô, sai da roda da sorte

Mesmo que o mundo acabe amanhã há que sorrir

Um coração idoso, não há quem conforte

 

Um Judas a ser solto à gargalhada, a rir

Não importa se levou Jesus à sua Morte

Importa ter plateia exausta a assistir

A Terra

Porque este mundo agarra-se à beleza

Com unhas de ouro e olhos embaciados

E vive a desprezar a natureza

Que há-de engolir-nos como rebuçados

 

Cuspidos pelas bocas dos tornados

Sabemos a mirtilo, a framboesa

Quem disse que vivemos condenados

É porque vê esperança na tristeza.

 

As más notícias rasgam horas nobres:

Os ricos estão mais ricos, enriquecem

À custa dos mais pobres bem mais pobres

 

Ao que parece há vida noutra Terra

Cientistas andam doidos. Mas esquecem

As vidas que se perdem nesta guerra

Sede de sangue

Mau hábito fingirmos alegrias

Que trave o impetuoso e imenso mar

De mágoas e corais de agonias

Que impedem nossas almas sossegar.

 

Mau hábito outonal de suspirar

Se o ar glacial vem da boca do inverno

Leva-me aos píncaros de me embalar

Nas mãos do fogo lúrido do Averno,

 

Ó torpe humanidade, andas perdida

Guiada por um mal que não se vê

Ó humana condição em vão esquecida

 

Comes do matadouro da TV

O cio do ódio, besta desta vida

Que tem sede de sangue sem porquê

Metamorfose

Abstraído dos hábitos comuns dos humanos

Agarro-me, insolente, às folhas de papel

Como batendo aflito à porta dos enganos

Ou plantar rara flor num íntimo vergel.

 

Lancei, como uma flecha, o olhar no infinito

Tentando imaginar a solidão eterna

No pânico poético, escuto um eco, um grito

No vale a propagar-se, a ver quem lá governa

 

Meus olhos extraiam sulfúreos minérios

Calcando luxuosos sonhos que inventei

Terei, nessa dormência eterna, refrigérios

Para justificar na vida o que ganhei?

 

Sem cães de três cabeças ou falsas harpias

Que enfraqueciam mentes dementes de heróis

Pintei, na tela negra, brancas cortesias

De anjos e demónios debaixo dos lençóis.

 

Suspenso no varão do Tempo indefinido

Num dédalo mental que o tempo ao homem dá

Vazio, vácuo de cinza, um nada me encobrira

como enterrar verdades cruas co’ uma pá.

 

Espessa névoa de púrpura, um sol sisudo

Praias de areia azul, o céu ensanguentado

E os corpos celestes flexíveis neste estudo

Iam em rebanho pela Lua liderado.

 

Como se me chamasse a voz do promontório

A estranha tentação de em voo me atirar

Subiu-me rubro sangue ao rosto, foi notório

Minha metamorfose: era ave, a voar, a voar…

 

O solo diminuía, ao sol me dirigia

Como se abalroasse miríades de estrelas

Voltava a ressurgir, coragem me influía

Para atingir os céus, passar suas sentinelas

 

Tirar a história a limpo do Éden promissor

Depois que somos sonhos no espaço, à deriva

Se interdito jardim, berço do imenso amor

Havia ou existia lá uma alma viva.

 

Mas não. E retornei de pronto ao meu papel,

Ao lado repousava a pena dessa dor

De ver que o real travara ímpeto de Babel

Em línguas várias ver o imaginário em cor

Anti Vida

Não trocaria nunca a mãe por um país

Só quando era petiz, rebelde, a enervava

Era criança adversa, o sol me melindrava

Não trocaria nunca a mãe para ser feliz,

 

Tu, Afonso adverso, tinhas por brinquedos

Soldados, aríetes, arcos, lanças, espadas

Tinhas por passatempo lançar as escadas

E tomavas castelos, à noite, em segredo.

 

Custa-me a crer que tirânicos ditadores

Fazem deste amplo mundo um pátio de recreio

Sendo vermelho sangue a cor preferida

 

Custa-me a imaginar magnos conquistadores

Rebentos a sugar de suas mães o seio

Ser vida a rebentar, para ser anti vida

Tédio II

Calor nocivo às rosas e lírios do peito.

Lá fora, incendiário, o sol é uma fornalha

O tédio, fiandeiro inquieto tece um leito

Para entoar ruidosos cânticos de gralha.

 

Pesado, entontecido, mole, entorpecido

Arrasto meu pensar à sombra do que sou

Perguntam-me o que tenho: “nada, aborrecido.”

Foi obra do destino que me condenou.

 

São grilhões invisíveis postos no querer

Na vontade, indigente, na esteira do vento

À procura de versos capazes de fazer

Tremer a Terra inteira com um sentimento

 

Leitor, tu peregrino nas redes sociais,

Que procuras prazeres fúteis e mesquinhos

Passa, não digas nada, pois que são mortais

As cantigas do tédio, gritadas por vinhos.

 

Pois este poema seco é um poço abandonado

Onde não matarás tua sede insaciável

Caligrafia torta, poema rasurado

Escrito pelas mãos dum poeta insuportável.

 

Haverão de inventar a cura deste tédio

Sou paciente à espera numa sala obscura

Do médico brilhante que traga remédio

Que vença esta doença que a liberdade cura

 

Ó tédio, cujo rosto ignóbil se afigura

Um sol oculto pela névoa incendiária

Escrever é meu repúdio, moeda na ranhura

Da máquina da vida, inútil, tumultuária.

 

Tua língua infecunda de víbora insensível

Que sonda os espíritos audazes ao luar

Qual presa distraída num prado aprazível

Só o beijo da Morte te pode igualar.

Soneto de um anónimo

Neste oco espaço inculto sou anónimo

“bom dia”, nada mais, passo discreto

Vivo a pensar que fui sempre o antónimo

Da vida, triste, sério, circunspecto

 

Meu queixo, sempre em direcção ao solo

Qual acólito fingindo escutar Deus

Sou corpo com minha alma a tiracolo

Por vezes, sou troiano entre os aqueus.

 

O tédio, essa praga de gafanhotos

Que arruínam os campos que cultivo

É que me isola de quem me entedia

 

Meus versos, nesta igreja, são arrotos

Esse ópio que me torna disruptivo

Que espanta a treva que me engole o dia

Tróia

A Maria João de Sousa Brito

 

Quem nunca procurou a paz num vinho ardente

Com suas memórias ígneas, amadeiradas?

Procuro, não no vinho, mas em mim, demente

Uma alma sossegada entre almas transtornadas.

 

No sábado passado, azul raro, vibrante

No ferry boat seguia a esteira, alvos cavalos

Que a branca espuma faz o mar ser um espumante

Que bebemos festivos, aos pulos, aos saltos

 

Pura desilusão, confesso, pois buscava

Golfinhos saltitantes que há muito partiram

Em busca de sossego como eu procurava

Poemas cujos versos nunca se repetiam.

 

O sol na areia dava a impressão de sermos

Vulneráveis papéis que servem de alimento

Ao fogo, esse demónio à solta que metemos

Nas verdes florestas do nosso pensamento.

 

Aquela língua branca a desafiar o mar

Não era como os sonhos loucos dos humanos

Anseios vacilantes, no ar a latejar

E que nos guiam sempre ao ponto a que chegamos.

 

E eis (lá está) que chega a fome melancólica

Desse infindo desejo, fútil, impossível,

De sermos novamente jovens e, bucólica

Ser a paisagem verde, vinhas do possível.

 

De súbito, arrepio na espinha a expandir-se

Lembrei-me ser durável, ter que ter coragem

(Mas de volta ao real) era o meu filho a rir-se

Como água a extinguir o fogo da voragem

 

Como um poema longo, épico, interrompido

Fui perseguido pelas ânsias, mágoas, dúvidas

E remontava ao tempo desse grego Antigo

Que colocava freio a vidas compulsivas.

 

E de repente, Tróia, a amargurar-me o espírito

Ulisses de calções de banho, toalha aos ombros

Helena em bikini, águia de Zeus aos gritos

Essa bela cultura grega agora em escombros.

 

Deixava atrás de mim um rasto purpurino

De todas as lições de vida que aprendi

Porque sou um mistério raro, diamantino

Com o cruel destino sempre atrás de mim.

Chuva de estrelas

Às vezes olho as estrelas,

E penso que elas nos olham

Que esperam pela extinção

Dos Homens frágeis na terra.

Cintilam pela ganância

Futura humana desgraça

P'ra quando formos embora

Fazerem lares na terra

Serão majestosas rainhas

Será real como os Homens

Que quando forem embora

Virão reinar as estrelas.

São olhos na noite escura

Cintilam pela ansiedade

Dessa chuva celestial

O mais depressa possível

Mantendo viva esperança

Aguardam noites inteiras

À espera que o Homem caia

À espera da humana desgraça.

E porque o Homem não cai

Nem chega a ruína humana

Fogem quando chega o Sol

Que assim discursa para elas:

“Por mais que queiram a terra

Fazer dela vosso lar,

Digo-vos que nunca serão

A gente humana que amo

Não tendes em vós coração

Nem sofrem, apenas brilham

E o vosso brilho me é vão

Sou mais brilhante que vós.

Fugi para os vossos lugares

Suspensos no espaço eterno

Que eu brilho nessa esperança

Dos Homens serem melhores,

Mesmo que um dia me engane

Mesmo que um dia me acabe

A luz que vida germina

A humana vida que amo.”

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