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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Música, por favor!

A minha masmorra é forrada com pastas de arquivo,

Tem o cheiro do tempo, do esquecimento,

O ar pesado comprimido em palavras rudes,

Vorazes, como línguas de fogo,

Dançando à nossa frente exóticas, eróticas,

E nos tentassem, com olhos fixos nos nossos,

Nós, pinheiros mansos, salgueiros melancólicos,

Nós, maleáveis juncos, esmagáveis lírios

Sempre trémulos no caminho do vento,

Traiçoeiro, invejoso, rugidor

Por não ser gente, de carne e osso,

Desejando que fôssemos esqueletos dançantes,

Submissos ao seu jugo senil e inútil

Marionetas nas suas impalpáveis mãos.

 

Na minha masmorra não ecoa o riso,

Não entra ninguém para rir ou fazer rir,

Não entra ninguém para chorar ou fazer chorar

Não entra ninguém,

E eu, sem régua e esquadro, inadaptável à exactidão

Com desejos opostos à ordem do mundo,

Proscrito, maltrapilho do pensamento

Vagabundo nas palavras e ditos populares,

Fico quieto, cantando para mim

Melodias que bebi da fonte do tempo

Das águas límpidas de lagos sem fundo

Porque a música, essa, atrelada ao meu coração

Inspira-me ser pássaro

E esgueirar-me por entre as barras de ferro

Voando pelos céus imaginários e tranquilos

Sem voltar nunca mais...

SONETO SOBRE ANDAR PERDIDO...

A António e Cristina Cunha

 

Não sei se me encontrei, se me perdi

Perdi-me muitas vezes por tão pouco,

Já me senti perdido como um louco

Porém, de mim, eu nunca me esqueci

 

Não sei se muito ou nada já vivi

Quem sabe é esse mar imenso e rouco

Mas já senti que a vida sabe a pouco

Porém, de mim, eu nunca desisti.

 

Tão frágil nesta vida de perder-me

Tão fácil a ilusão que me encontrei

Um dia eu saberei se andei perdido

 

O que me sabe a tanto é não esquecer-me

Os nomes que na minha alma gravei

Pois que me lembram que não sou esquecido

ÀS ESCONDIDAS

Não tenho mão em mim. Como havia de ter

A mão na minha vida, a mão no meu destino?

Nasci para ser só, perdi-me sem querer

Brinquei às escondidas num jardim sozinho.

 

Sou branco do papel, caído, amarrotado,

Vivendo num cubículo onde o ar é nada,

Alegro-me com pouco, sóbrio, dilatado

Da beleza doentia que encontro, apavorada.

 

Os meses que passaram sobram-me de tédio

Não sei o que serei, se virei amanhã

Queria ter para mim uma Vénus de Milo

Ou abrir livrarias no centro de Canaã.

 

Quero uma coisa e outra como uma mulher

Que não sabe o que quer, volúvel, pensativa

Que imagino sonhando o mais alto prazer

Fora duma rotina que a mantém cativa.

 

Meu mundo, um areal, o mar, a realidade,

Contrariado nado até ficar sem pé

Exalto-me em comícios loucos de verdade

Contruo mentalmente pirâmides de Gizé.

 

Memória, és a necrópole de sentimentos

Da infância, barco à vela num mar de ilusão

Meus sonhos nascem como amoras que não como

Bebo cada momento com sofreguidão.

ENSAIO SOBRE A FELICIDADE

Fala-se em ser feliz, na felicidade,

Vãs definições, como muito a merecemos,

Mas com o tempo, aprendemos,

Que se encontra num lar ou na amizade,

Que a bem dizer da verdade,

Não entendemos.

 

Fala-se em ser feliz, tantas, tantas vezes,

Mas nos dias secos escavamos no sítio errado,

Como à procura dum tesouro escondido

Mas que anda perdido,

Em nós próprios, quadro famoso roubado

Diria que cada instante, cada momento,

Cada sopro, sorriso, beijo, na vida é o ouro

Que faz o tesouro que não entendemos

Cegos de ver porque o queremos

E o ser feliz é o dia a dia

E isso sim, é poesia...

Lucidez

Mantido em cativeiro, incorrutuptível, fraco

Doente de sentir-me atordoado e só

Deixei-me ouvir a chuva no telhado opaco,

Do céu azul passivo a dar-me na alma um nó.

 

Fechado a sete chaves qual rico tesouro

Ninguém me vem roubar nem ver ou contemplar

A vida não reluz nem luz como o vil ouro

Só a tristeza vem com sombras me assombrar.

 

De noite é quando acordo e lúcido desperto

Num sono abismal, escaldante dum deserto

Exausto, a caminhar perdido e sonolento;

 

De dia é quando durmo sóbrio, amorfo e triste

Na solidão soturna da morte que insiste

Sorrir-me num olhar, sorrir-me em pensamento

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