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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

À minha procura

Vou conspirar contra mim,

Desconfiar-me, tecer uma teia

Saber que dela me libertarei

Sem precisar

Ficar nela.

 

Vou caminhar, sangrar, cansar-me

Esgotar-me, e suar da minha alma,

Que nem sei bem

Se a possuo ou se ma levaram.

 

Explodi em vários fragmentos

Nos dias vividos. E não sei de mim

Porque vou e porque fico

Sempre que devo

Ficar ou ir

 

Mas uma coisa é certa igual à Morte

Que na refrega do tempo,

Há um sol luminoso que nasce

E é de dia que devo

Encontrar os meus bocados…

Factura

Travar as mãos que empurram, sem pausa ou paragem

Ser sempre responsável, mudo e banal…

Exausta-me! Que ânsia usar outra linguagem

Queimar livros que falam sobre ser normal.

 

Andar aos ziguezagues como num poema

Às vezes mãos nos bolsos sobre ser alguém

Por uma vez sentir que a alma não é pequena

Sentindo o doce alívio por não ser ninguém.

 

E se pagar por isso um elevado preço

Que o mundo não se esqueça de enviar-me factura.

Quero sentir-me vivo, à vida, nada peço

Porque sinto que já fui outro noutra altura.

Soneto adormecido

Sou ânsia súbita, sombra do ser,

À noite, o ar é mel espesso que sobra

No frio lar da pérfida cobra

Que vem roubar-me o sono e meu querer,

 

Que voz interior me vem dizer,

Ser incapaz do ferro que se dobra

Onde a palavra foge e mar desdobra

Lençóis azuis macios do que vou ter?

 

Enrola-se-me a espuma em longas vagas

Tento salvar-me, náufrago e a nado

Serei menos que fui e do que sou.

 

Que mão por bem, se mal, conforta e afaga

O poeta com destino conturbado,

E a mim, uma vez só, e não mais voltou?

Frases Tumulares

Há lobos vorazes no meu sangue…

Quando a noite cai da cúpula celeste

Descem das florestas obscuras dum poema

Agrupam-se e travam combates ferozes

Entre o meu querer e o meu ser.

 

Criança fugitiva, trémulo de rosto pálido,

Chegaste-me como uma lua perdida e adoentada
Suspensa no destino igual e geométrico;

Teus olhos brilhavam de tristeza

Nem teu rosto recebia luz, estiolado de medo

Sujo, vinho derramado e criminoso

Vertigem sentir o pavor das luzes invadir-te

Depois que brincaste fora da vida e de mim,

Dor repartida, pão guardado num pano

Água colhida das chuvas beijadas nas folhas

Enquanto nos aquecia esse fogo rebelde

De ter sonhos, vida e esperança vivaz.

Acolho-te, órfão que és, homem que foste

Protejo-te de mim próprio, perigo inocente

Raspo o fundo do tacho das sobras

De metáforas fundidas em sangue e dor.

 

Tu, testemunha do esforço de esquecer

Essa navalha furtuita de noite

Que se me revelara fria, afiada de beijos

Escondidos ao luar nas noites solitários

Corujas nocturnas de palavras e nervos

Cravados em mim como frases em túmulos.

 

Para onde irás se não sabes tomar conta de ti,

Se és provérbio alado, sibilante, matutino

Saído da boca sábio dum velho desprezado

Curvado, folha outonal?

Como serás depois do perdão,

Se um pé gigante te esmaga o rosto

Se o reflexo no lago não é o teu,

Ou se preferires, como andarás na terra

Cego de amor ou carente dele?

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