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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

FLOR DE LARANJEIRA

Abre a flor de laranjeira,

Cheira a cor, a primavera,

Suave toque da quimera,

Quando cresce em nós inteira,

Num lençol de brisa vem,

Perfumar à minha beira,

Colho a flor, cheira a ternura

A paraíso, a formusura.

 

Somos flor de laranjeira

Na vasta eternidade,

Provem, cheirem, desabrochem,

Esqueçam um pouco a verdade,

Dela, em busca, é vã empresa

Busquem na vida Beleza,

Que a verdade amor nos tira,

Por ser tudo uma mentira.

 

Mandai fora essa procura

Dar à vida um sentido

Ser feliz é estar perdido

Na flor que nos dá ternura

Atentai a quem nos prende

Sem que nos toquem sequer

Ladrão é só quem nos rouba

Em vida, o nosso querer.

Nós Dois

Que seremos nós dois,
Quando os ventos varrerem os anos,
Quando as flores forem perfumes,
Quando o sol afastar-se da terra?

Diria uma árvore qualquer
Tu, a cidade, igrejas e casas
As ruas, estátuas, as amplas calçadas,
se guardares mil beijos na boca,
E eu trémulo, frágil, sozinho
No olvido da citadina penumbra,
O cipreste tremendo de frio,
À sombra de um beijo não dado,
Ao sol dum verão sem amor.

Meu Pai

Tão bom que é poder chamar-te pai,

Melhor ver-te e sorrir, ver teu sorriso

Estrela polar que diz-me: ”Tem juízo”

Meu bom, melhor amigo, meu bom pai,

 

És a estrela polar que bem me guia

Quando eu me lanço ao mar para navegar

Tão bom que é poder ver-te e te chamar

Meu pai, que a minha sombra me seguia.

 

Perdoa-me os meus erros como filho,

Nunca tive intenção tirar-te o brilho

Se não ouvisse o teu sábio conselho

 

Pois que se fosse ingrato e não te ouvisse,

E contigo meu tempo não dividisse,

Seria hoje em dia quebrado espelho

Enquanto dormes...

Terás a eternidade para dormir.

Hoje sacudirei a toalha de estrelas,

Cairão no teu corpo de prado de leite

Mil beijos intemporais

Que serão memoráveis no teu íntimo

Se me for primeiro que tu.

 

É porque a Lua nem sempre vem,

Também ela tem os assuntos dela,

Às vezes vagueia sombria pelas florestas

Com os ombros desnudos e seio arfante

À procura do seu Endimião, não sei.

 

Sei que agora te vejo e tu não me vês,

Sei que não durmo enquanto dormes,

Como tranquila repousas; e a tua respiração

Tem do verão a quietude dos lagos,

De águas moles e transparentes,

Como óleos de cedro ondulando,

Pelas ondas feitas por nossos dedos.

 

Quantos morangos frescos na tua boca,

Amoras escuras no teu pomar ardente,

Quantos mirtilos no teu peito,

Na seca, apodrecem à sombra

De uma árvore nascida do cansaço.

 

Olhando próximo o rio de marfim

A lua macilenta entornava a sua graça

Parecia-me doente, constipada,

Ausente, com olhar vago. Diria

Catatónica, com um fio de luar

A sair-lhe da boca, pobre coitada.

 

Estou cansado de beijar a solidão.

Dormes num sonho, eu, na vida

Fato poeirento, gasto e desbotado

Com um nó de gravata que me estrangula.

Quero respirar no mesmo sonho que tu,

O ar parece-me mais salubre,

Que o ar sufocante e áspero

Que respiro solitário. Por favor,

Não me deixes cá fora…

O Choro da Criança

O choro da criança que mora por baixo de mim

Aflige-me como o rigor do inverno.

Roupa molhada colada no corpo,

Dor enxugada em dias de chuva.

Agora sinto melhor o canto dos choupos

Quando o vento chora.

 

A dureza de pedra do meu lar inacabado

É trespassada, como se este choro

Fosse ariete agudo, determinado

E rebentasse os pesados portões de bronze fulvo

Do castelo de nuvens e frases

Da minha imaginação.

 

Não se escrevem poemas quando choram crianças

Nem se regam flores, nem se lançam pedras,

Por mais urgente que a liberdade seja

E rebente chorosa num pranto impossível

Como triste e mendigo o meu coração…

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