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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Viagem de Comboio

Logo pela manhã na luz límpida e clara,

Sob o nítido azul do céu que inspira confiança

No vento de nortada solto da caverna

Que vejo a humana gente como quem não dança.

 

Imundos, os passeios, minam-se de fezes

Os muros esbatidos por uma cor branca

É um papel qualquer para escritos obscenos

Um dente que apodrece mas que não se arranca.

 

Lindos, são tão lindos, meus irmãos fraternos

Outrora foram belos, hoje são fantasmas

Este, enfezadito, aquele que coxeia,

E o rosto da mulher coberto de miasmas

 

Quando saio do meu lar, vou para a estação

Do comboio generoso que por ninguém espera

Um túnel atravessa, inesperado surge,

Desfigurado um homem que lembra a quimera.

 

Caminho, na surpresa, vejo alguém que poda

Esquálidas palmeiras, fogo-de-artifício

Dum verde explosivo no ar que se não sente

Pendendo velhos ramos como em sacrifício.

 

Parte deste mundo vive adormecido,

Lembro, neste instante os que dormem na cama

Aqueles que nos cansam com suas mentiras

Trocistas que nos fazem rastejar na lama.

 

Levo na mochila só o necessário,

Comida, um diário, um livro, uma caneta

Sinto-me Salomão perto do paraíso

Durante quarenta minutos sou poeta.

 

Já vem cheio o comboio que entra na estação,

Depois de ouvir-se a voz metálica no ar

(Imagino-a no dia em que gravou sua voz

Às vezes sou assim, ponho-me a imaginar)

 

Uns dormem, outros falam, outros nem por isso

Outros lêem livros e diários da república

Uns estão empregados, outros nem por isso

Outros ao relento dormem na via pública.

 

Gare do Oriente! Aqui já sai mais gente,

Sente-se o comboio aliviar-se mais

As portas, ao abrirem-se, deixam-me contente

Sonho melodias, escrevo madrigais.

 

Quem viverá naquelas casas em ruínas?

Quem dormirá naquele tecto a desabar

As buganvílias púrpuras cor de crepúsculo

Não se esqueçam do cão preso sempre a ladrar.

 

Às vezes fecho os olhos, só para sentir,

O tipo de conforto que a noite nos dá

Por onde os meus fantasmas cheios de pensamentos

Na minha mente cantam do lado de lá.

 

Decifro, às escondidas, rostos curiosos

Uns, nada me dizem; porém, outros me inspiram

Um perigo gelado como a faca afiada

Que numa vida inteira amor nunca sentiram.

 

Por fim, o meu destino, eis o fim da linha

Diluído espreguiçar em sono e sonolência

Que mão nos moverá para o espaço invisível

Quando a Morte vier nos ler sua sentença?

Colher de açúcar

Corria nos jardins da minha infância,

No entardecer, era hora de ir embora,

"Amigos, amanhã à mesma hora!"

O mundo era um mar de irrelevância.

 

O giz no alcatrão eram poemas

Escritos pelas mãos mais delicadas,

As árvores eram príncipes e fadas

As folhas nos falavam vários temas.

 

As covas fundas eram como abrigos,

Cobriam-nos arbustos e folhagens

E os versos eram escritos nas ramagens

Com resina vendida por mendigos.

 

Que aperto essa vontade ver-me agora,

Na mesma idade quando era mais novo,

Quando ignorava que não havia povo

Com a corda ao pescoço em negra hora.

 

O vento, o sol, o verde, os malmequeres,

A roupa enlameada e as mãos sujas,

De noite, os candeeiros eram corujas

Como comer açúcar às colheres

Cegueira

Meus olhos andam cegos de te ver,

O tempo, que me empurra para a frente,

Imaginar-te lírio não me consente

Nem longos beijos quentes de prazer,

 

Já não sei nada sobre o meu querer,

Os dias correm sempre, sempre à pressa,

Só fiquei com dores de cabeça

Que mais deverei querer além de ser?

 

Já se encaminha coxo este poema,

Para onde não sei bem sobre o seu tema

Que fala com a voz melodiosa

 

Já estive bem mais perto dum deserto

Por encontrar-me lúcido e liberto

Preso no espinho agudo duma rosa

A um Campeão de coisa nenhuma

Bem sei que te sou estranho - e não me mintas,

Pois que teus olhos baços não se encontram

Fixos nos meus, frontais, dos quais me apontam,

O mal (porque estás mal), que de mim pintas,

 

E com requinte escolhes caras tintas,

Com que retractas meus erros e falhas

Depois de expostos teus trabalhos espalhas

Meu mal. É assim que vês tuas falhas extintas.

 

Que à velha maledicente dês ouvidos

Com que atordoa teus fracos sentidos

Não me surpreende mais, já é rotina;

 

Porém, de ti recuso o enxovalho

Mando-te humildemente para o caralho

Pois que te falta é mesmo uma vagina.

Outro Entardecer...

 

É por ali que fluente a minha alma corre,

Nas águas tingidas de sumo de laranja,

No regressar dos corvos em bandos esparsos,

Ao chamamento misterioso do abismo fundo.

 

Sobe o mercúrio, termómetro do cansaço,

Em mim as aranhas prosperam, tecem teias,

Cansa-me o sol de ontem igual ao de hoje,

É mais baço o meu rosto que este espelho.

 

Olho-me, não me revejo, tudo um dia,

Acabará. Toda a sinfonia finda, no eterno, nunca

Aí, não haverá coisas para lembrar,

Como se a vida acabasse no momento de esquecê-las.

 

Na direcção do crepúsculo, virá o Outono

Ficará o sol a espremer uma laranja,

Dando de beber às nuvens quando passam

Como se fossem em busca dum tesouro perdido.

 

E o açúcar da laranjada crepuscular,

Está nestes versos que me adoçam a amargura

Tenho frio ao lembrar-me dos dias doces

De alegria efémera. Dói olhá-la pelos ombros…

 

Quando a Noite é Próxima

A noite solitária chega como se me beijasse os lábios

Atrás de mim, murmura-me no veludo «solidão»

Vingativa, como se a tivesse traído com a luz do dia.

Os brinquedos espalhados pelo chão sossegam,

Dormem como vigias sonolentas num quartel militar

Só eu fico, como fiquei sempre,

Lúcifer em pânico aos primeiros raios do Sol

Que procura no céu macio um refúgio, fugitivo.

Ao menos é brilhante, celeste, etéreo

Eu, de caneta em riste e papel virgem

Soam-me repetidos meus pensamentos iguais,

Ao aproximar o bico da caneta,

Ansioso, hesitante, infantil,

Sonhador de impérios vastos de cores expressivas

Ou mil e uma noites a multiplicar por mil,

Ou cem vidas, em que uma delas pudesse ser

A vida que sonhei viver e não vivi.

O vento é uma multidão compacta em fúria

Com gritos e uivos odiosos, arremessando

Pedras, ramos, troncos, folhas,

Ódio, palavras em fogo, revolta e perigo

E eu que não me suporto pelas leis criadas por mim,

Sinto violentamente o vento no rosto,

Como se eu fosse um ditador ou presidente,

Numa república nascida do medo íntimo do meu ser.

Que raio estou a dizer? Rasguei o silêncio!

Um avião que passa e me lembra um lugar…

Superficial

I know, I know: I am not the best
Among the great souls that I'd known
Who cares of sadness in my chest
Who cares if I rest in the Unknown?
These thirty five springs well completed
Reminds me deeply that I'm nothing
But pick one angel among men
To show if he's in Beauty something.
I'm not the prince of darkness night
Or sweet delight of women's dreams
I'm just a shadow in day's light
Unleast I am more that it seems.
this heavy burden without mask
Sustained by this unknown believe
the glimpse of cold of distant past
Of all those days I couldn't live

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