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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Um Milagre Chamado Filho

(Ao Eduardo, com Amor...)

 

Estrelas brilhantes, borboletas prateadas

Saiem-lhe do rosto, templo diamantino

Novo, por lapidar; olhos ávidos, absorventes

Como pedras preciosas polidas num céu de púrpura,

Cabelo angélico, seara ondulante

Cor do âmbar, linda boca melancólica

Corpo desarticulado, dócil marioneta

E há na sua figura um deus benévolo, generoso

Que me salva e guia, sem saber porquê

Na deslumbrante e luminosa imagem do seu rosto

Conheço-me, encontro-me, revejo-me

No seu sorriso primaveril e açucarado

Salvando-me, na pureza ingénua dos lírios

Como se um anjo real e puro

Me salvasse e reconhecesse…

Dama da Noite

Lá ia, eu, andando, absorto em nada e tudo
Mãos nos bolsos rotos. sóbrio, cheio de vazio
Perseguia-me na noite um rastro de perfume.
Que flor se abria tanto e que cheirava a cio?

A brisa, essa soprava, vinda não sei de onde,
Trazia na impalpável asa uma fragrância
Um cheiro que atraía as pedras impassíveis
Dos que no mundo julgam ter muita importância.

Hum, que cheiro intenso! Que inebriante olor!
Que ser capaz na terra cheira a paraíso?
Nem flor de laranjeira, nardo ou madressilva
Têm este odor que em mim me cresce um narciso.

Segui na noite o rastro, abri portas no escuro,
Fui desvendar mistério e eis que surge então,
Exótica, sensual, abandonava à vida,
Fazendo bombo ao meu musical coração.

Batia, a bom bater, o cheiro era do céu,
Pudesse ter a fórmula do cheiro doce,
Teria o meu jardim, onde lá me estivesse,
escrevendo devaneios, como se um poeta fosse

Era uma flor erótica, era em flor aberta,
Era um mamilo róseo junto à minha boca,
Tinha corpo de Vénus vestida de folhas,
Com ar de actriz moderna; ela tinha ar de toca.

Abria-se, deixando, que o ar respirasse,
O meu nariz bem perto junto ao que nos chama,
Como se abrisse mais as pétalas lançava
O odor do desejo. À Noite, ela é uma Dama…

Desculpa, Camões!

Não quero um amor que arda sem se ver
Em mim há uma floresta que conservo,
Uma árvore, uma flor em cada nervo.
Recuso que esse amor me faça arder,

Pois sinto loucas ânsias de crescer
Se é fogo, então que o amor me seja água,
Para que torne extinta ardente mágoa,
Que por dentro me destrói e faz sofrer.

Se amor for confundido com loucura,
Trazendo o fogo que arde cego e louco
Então quero que inventem outro amor,

Pois que não quero mais que essa ternura
Viver dias que sabem sempre a pouco,
Que me dão gozo e nunca me dão dor.

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