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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Soneto de ansiedade

Invade-me tu, calma! Antes tu fosses,

A minha mais beningna flor, amante

Que esta ansiedade inglória e triunfante

Seduz-me com palavras mansas, doces.

 

Cerca-me, alma benigna e perfumada,

Nimbada como estátua quando a Lua,

Lhe beija a fronte e a prata alastra e actua

Nos bosques, nas florestas, encantada.

 

Soprai-me, ventos! Despertai-me o ser,

Abrindo exaustos olhos de mentira,

Verdade, que se entranha em gasta lira

Qual verme em nova flor a escarnecer.

 

Minhas ânsias, mais lúgubres que Harpias,

Rasgam-me o peito, cegam-me as poesias.

A Rosa Vermelha

A mais formosa flor, chamada rosa,

De muito envaidecer-se cresce só,

Na florescente turba tão formosa,

Que o vento, uivando, traz-lhe amor e pó.

 

Há mais linda flor que linda rosa,

De faces rubras, de amor aspergidas?

Vermelha, cor de sangue, langorosa

Querida entre outras flores, a mais qu’rida!

 

Guarda segredos, de lábios fechados

Beijos melodiosos de molhados,

Mulher nua, encharcada de prazer;

 

Um nome guarda em cada agudo espinho,

Fresca fragrância exala dela, um vinho

Quem dela, apaixonado, quis beber.

Aceitação

Pois quer o mundo dar-me insegurança,

Inúteis ânsias, ais, gemidos mudos,

Pois quer a Vida armar-me de esperança,

E a Musa aconselhar-me nos estudos.

 

Pois faz-me o Tempo andar sempre apressado

Empurrado por mãos imprevisíveis,

Pois quer-me o verso sempre trabalhado

Gritar no mundo coisas indizíveis.

 

O tempo, o mundo, a vida, o meu destino

Ordenam-me que a vida, assim me seja,

E expresso, neste verso, um desatino;

 

Assim saberei sempre quem eu sou

Assim será, sempre, onde quer que esteja,

Não me debato. Assim, alguém me amou.

A Verdade

Possas desvendar, Musa, este mistério

Se nos meus olhos de água eu te namoro,

Se rompe a tua alma branda num choro,

Por não oferecer-te um vasto império.

 

Nada contenta este meu olhar sério.

Serena-o, com doce abraço que adoro

Num ápice, eu me abraso, eu me evaporo

Subindo aos céus. Eis todo o meu mistério.

 

Guardar-te o que no peito está pendente,

Guardar-te ansioso beijo em minha mente,

Não posso, porque sofro de ansiedade;

 

Por isso arrombo as portas do teu templo

Em êxtase, na clara luz contemplo

Teus olhos puros... e vejo a Verdade.

Soneto dedicado a Maria João Brito de Sousa

Num branco espaço há quem muito me anima,

Honrando-me com rápida leitura,

Deixando uma palavra amiga e pura,

Gentil, que ao fraco peito me honra e estima.

 

Assina em seu soneto uma obra-prima,

Com verso excelso alcança outro horizonte,

Colina, uma montanha, um alto monte,

Por onde ando contente em cada rima.

 

Lá no alto, um dia, eu hei-de viva vê-la,

Seu nome, cintilando em cada estrela

Formando eterna e bela constelação;

 

A minha fronte curvo-lhe em respeito,

Com gratidão tamanha, no direito

Pedir-lhe para não pedir perdão.

Soneto melancólico

Lembram-me, os teus delíquios e olhos vagos

Calmas e eloquentes coreografias,

Dentro das águas puras, olhos magos

Desenham ondas de melancolias.

 

Qual cobra de água ondula nesse lago,

De transparências, milagrosa cura

Essa morna tristeza é doce afago,

De deusa em ti de áurea límpida e pura.

 

Agitas lagos fundos de lembranças,

De impacientes ânsias, de queixumes

Esperando cena de ouro e perfeição

 

Porém, cálidas tardes de esperanças

Dum paraíso exalam mil perfumes

Soprando em ti um vento de ilusão.

Abismos

Quem pode andar seguro neste mundo,

Quem pode suspirar de alívio doce

Se erguendo, como onda do mar profundo,

Beijando praias como amante fosse?

 

Quem pode deter, certo, uma certeza

No vindouro dia de ouro de amanhã,

Fluindo, e ressurgindo com leveza

Que o poeta inspira e adorna a coisa vã?

 

Quem pode amar se sabe amar somente,

Sua imagem, num lago esclarecido,

Belo narciso, no entanto, demente

Por Eco, amado, este amor, devolvido?

 

Quem cego pode andar com o seus olhos,

Tapados por frívolo preconceito

Rompendo o sol nevoeiro entre os escolhos,

Se o cego pintor torna-se perfeito?

 

Quem pode cantar, rir, ler, ver, amar,

Temer, chorar, sorrir, dançar, tremer,

Saber na vida verbos conjugar,

Se nem sequer pode um verbo dizer?

 

Quem pode ultrajar pureza e esperança,

Com repulsa de verme ou vil insecto,

Que em si pureza, e esp’rança é já lembrança,

Penumbra e sombra sempre circunspecto?

 

Porque se vive o homem contrariedades,

Qual tempestade um lenho firme, encara,

Porque não se converte atrocidades,

Noutra arte mais suprema que alma ampara?

 

Ruge a natureza de implacável,

Feroz destino humano se encadeia,

Qual vivo inferno hediondo e abominável,

Desenha, à traça, a aranha em sua teia.

 

Que abismo em chamas, de infindável fundo,

Por inteiro, engole ávido um homem,

Lhe dando âncoras no alto mar, profundo,

Que as chamas desse abismo nos consomem?

 

Mas se polar estrela lhe valer,

Como um grandioso amor que tanto pode,

Sem interesse, amar, e amor ter,

Há quem nos espera, há quem nos acode.

Soneto sobre o sonho

Sonhei compor os cânticos celestes,

Sonhei vibrar as liras celestinas,

Sonhei plantar soturno altos ciprestes,

E florescer num campo de boninas.

 

Sonhei beber das fontes cristalinas,

Sonhei banhar-me em águas de Diana,

Sonhei banhar-me adulto com divinas

Nereidas. Como o destino me engana!

 

Sonhei belas sonatas, sinfonias,

Sonhei ser Paganini no violino,

Vencendo a morte amarga ao meu destino,

 

Sonhei escrever-te eternas poesias,

Sonhei-te, Vida, mais que amar-te tanto,

Mas deu-me demorado e longo pranto.

Soneto Amoroso

As minhas mãos ansiosas dedilhavam

Canções antigas de mimoso efeito

Nos lençóis perfumados fervilhavam

Desejos que inundaram morno leito.

 

As nossas línguas loucas se enrolavam,

Chamando lá do fundo, um doce espasmo

E as estrelas, lá no alto, cintilavam

Estremcendo aquando nosso orgasmo.

 

Tornou-se branda a escura noite. Os ventos

Passaram sem deixar rasto guerreiro,

Nem derrubaram carinhosas flores;

 

Na placidez secreta, os sentimentos

Brotaram exalações de amor, primeiro

Depois, frutos silvestres dos amores.

Ferida Universal

Camada cor de cinza, espessa e fofa,

Tapando vai o céu. Assim se encobre,

Verdades tão certeiras como o sol,

Cá em baixo, onde a vida é vil, balofa

Onde vence a lei do mais forte e nobre

Querendo o pobre sempre amorfo e mole.

 

Negrume, forte aspecto de tirano,

Vem-me à lembrança a longínqua agonia,

Que tanto se ouve aqui, mas que se ignora,

Mancha derramada sobre o pano.

Gota de tinta cai sem poesia,

Que dia a dia a guerra revigora.

 

Feroz, o céu sublime me interdita,

Saber terras incógnitas do mundo

Dos deuses verdadeiros, bastidores;

Estes delgados versos sol me dita,

Murmura-me as palavras num segundo,

Delíquios tem a Terra, altos calores.

Torre de Babel

Se o tempo determina a minha idade,

Quem meu amor sincero determina?

Tu, e tu também, bela bonina

Nos campos verdejantes de saudade?

É que, na flor de idade, amadureço

Esperando, ignóbil, por melhor começo.

 

Dançante sombra na parede, espírito

Colado ao longo muro cor de inferno,

Versos procelosos tenho dito,

Não sendo melhor manto neste inverno.

Lábios gretados, secos, resequidos

Nunca, de amor, avaros, impedidos.

 

Pulsar inquieto, bomba do meu sangue,

Velozes rios escorrem vermelhos,

Tentando reanimar minha alma exangue,

Dos meus sentidos de quinhentos velhos,

Tão cedo, na jornada, na partida

Sem volta, hora marcada, viagem de ida.

 

Despi meu manto gasto e fui deitar-me,

Numa rocha aquecida pelo sol,

Quis-me na languidez desamparar-me,

Metido no meu corpo fraco e mole,

Guardando o que meus olhos me oferecem,

Cuspindo ao vento versos que me aquecem.

 

O térreo cheiro, o hálito do mar,

Harmoniosos cantos decorei,

De exóticas aves a procriar

Isto tudo dentro de mim guardei,

Tentando trasladar para o papel

Da minha mente, Torre de Babel.

 

Os cristalinos fios de água pura,

Brotada lá da boca da montanha,

Numa contemplação que nunca dura,

Girava em minha alma roda de azenha,

Moendo a mais madura espiga de ouro,

Meu pão, meu verso, meu lindo tesouro.

 

Coragem! Falta pouco. É já ali

Pra lá daquela linha do horizonte,

Encontra-se o que em vida eu nunca vi.

Que aguarde um pouco mais, esse Aqueronte!

A vida bela embala-me: a saudade

E nem sequer pensei numa Verdade.

Matrix

Há quanto tempo ando neste caminho,

Seguido, diariamente, à mesma hora?

O que era alegre e doce como vinho

Será, no amanhã, velha que chora.

 

Há quanto tempo? Há tanto tempo o trilho

Igual, exacto sempre na mesma hora,

Sem ânsias, nem lembranças, sol sem brilho

Será, tudo amanhã, virgem que cora.

 

Nem trilhos decorados de diamante,

Nem sonhos de poeta adormecido,

Nem lasciva Veneza em Carnaval;

 

Nem peito apaixonado e ofegante,

Nem níveo seio ansioso, entumecido

Me alegra, porque o trilho é sempre igual.

A Bela Adormecida

Donzela adormecida em berço de ouro,

Num sono de mistério mergulhada,

Consigo, guarda mapas de um tesouro,

Perdido como ela, nunca encontrada.

 

Quem audaz se atreve a despertá-la,

Com beijo alado, unindo o Bem e o Mal

Quem pode deste coma despertá-la,

Da sua natureza tão banal?

 

Tem alma de terrífica Medusa,

Que tudo em dura pedra se transforma,

No rosto, claro encanto de Aretusa;

 

Espaço tem para uma alma demente,

De amor, avara, sem corpo, sem forma

A forma de quem se ama a si somente.

O Leopardo

Não te aproximes mais! Deixa-me estar,

Pois hoje eu sou felino enraivecido,

Leopardo ocioso, estranho e combalido,

Deitado numa árvore a repousar.

 

Vi melhor bem ser pelo mal vencido.

O mundo é vasto em ar, em sombra, em nada,

Da vida, hoje sofri uma emboscada.

Dá meia volta! Eu hoje ando fugido.

 

Meu canto é um fio de água evaporado,

Não canto quando passo um mau bocado

Por isso não distingo o Mal do Bem:

 

Andem livres lebres mansas à solta,

Meu coração germina uma revolta

Por Liberdade que ninguém mais tem.

Diligências

Produz, trémula abelha, o mel macio,

Que adoça a boca à minha Musa amada,

Sê discreta! Que ela não dê por nada,

          Do fulvo mel, macio.

 

Cresce, ó flor mimosa, cor lilás

Que abrindo os braços versos canta, casta

Uma não! Quero um côro, que não basta,

          Uma flor cor lilás.

 

Caminhem sobre um lago de nenúfares,

Remexam frescas águas, transparentes,

Ó ninfas, onde cantam de contentes

          Entre tenros nenúfares.

 

Curvem-se, meigos e verdes salgueiros,

Lançado em mago gesto aquela cor,

Nos ramos, cantem aves com fulgor,

          Desses belos salgueiros.

 

Ó celeste imperador dos claros dias,

Lança-me os luminosos sobre as águas,

Qual nevoeiro opaco, espanta as mágoas

          À Musa neste dias.

 

Diana, das prateadas flores, rainha,

Pendura o arco e esta noite gasta,

Espalha o azulado encanto e arrasta,

          Pra mim, minha rainha.

 

E por clemência, ao tempo de joelhos,

Eu vou pedir perdão por não gastá-lo,

Mais tempo, com minha Musa a esbanjá-lo,

          A ver-me de joelhos.

Equívoco

Pensei que alguém pensava que era amor,

Que uma palavra enigma lança escrita,

Pensei causar tamanha e amarga dor,

Deixando outra alma mascarada aflita.

 

Julguei perder os olhos da bondosa,

Leitora, que estimula e reanima,

Meu estro, se me crava espinho, a rosa

Sem ter segredo algum em minha rima.

 

Metáforas, escritas, deixam rasto

A quem não extrai a cor da poesia,

Qual pólen colhido pela abelha.

 

Para enganar-me tanto já eu basto.

Se fosse a face o verso, então diria

Ter subido um rubor por ser aselha.

O Príncipe das Trevas

Na antiga Babilónia, ninguém dorme,

Ninguém vive seguro. À noite cantam,

As armas com que o mundo inteiro espantam,

Dum ódio eterno, imundo, ingente, enorme.

 

Clarões no horizonte! Obra de Marte

O céu não chora lágrimas, mas bombas,

Definha o Mundo inteiro, em toda a parte.

Antes largassem brancas e alvas pombas.

 

Designa o céu que deve haver quem seja,

O Príncipe do Caos, alado à Morte

Que ande sombrio na Terra a ufanar-se;

 

A boca ressequida, outra não beija,

Produto amargo, longe dessa Sorte.

Com Morte, anda na Vida, a sepultar-se.

Uma dança alegre

Um ramo de palmeira acena; as flores,

Acompanhando o exacto movimento,

Num ritmo alegre, dançam com as cores,

Se vem juntar-se à dança o manso vento.

 

Num palco verde alegram-se as dançantes,

E sorridentes flores amarelas,

Rasgando nos meus lábios, radiantes,

Risos brilhantes, como alvas estrelas.

 

«Vem ver depressa, Musa, a descoberta.

Depressa! Apressa o passo e aprecia,

A rara dança, sempre, sempre incerta,

Tão estranha, tão alegre coreografia.

 

Repara como o ramo da palmeira,

Rasa no chão detém, na mão, batuta,

Senhoril e majestosa, ordena inteira

Que, quando o vento vem, ritmo executa.»

 

Olhava-me, espantada, a pobrezinha,

Como se há muito tempo não me visse,

Calou-se, e na resposta se detinha:

“Estás a ficar maluco”, lá me disse.

Tempo Perdido

Pudesse converter tempo perdido,

Na solidão fecunda se perfeito,

Que o tempo enterra o Tempo já esquecido,

Porque, hoje, eu sou o ser mais que imperfeito.

 

Se houvesse tempo e andasse a ser quem sou,

Sem síncopes de dúvida e de incerteza,

Teria no meu verso o que levou,

Da minha alma escondida, a Natureza.

 

Lá onde habita o deus do sono obscuro,

Lá onde o deus convoca ira dos ventos,

Assumo a cisma dura enquanto duro;

 

As chagas que não tenho, os pensamentos,

Manchado verso, vil, imundo e impuro,

São facas com que acordo os sentimentos.

À noite...

Costumo unir os pontos das estrelas,

Damas de honor da Lua, sentinelas,

Em cada traço encontro uma figura;

Na mente, a bela imagem desenhei,

E no papel azul eu encontrei,

Teu lindo e calmo rosto de alma pura.

 

Costumo ouvir dos ventos os queixumes,

Que passam desordeiros, por ciúmes

Murmuram às flores frases obscenas;

Empresta-me as árias dos teus sorrisos,

Amplos, puros, reluzentes, lisos

Que cantam melodias mais serenas.

 

Empresta-me também teus brandos gestos,

Das delicadas mãos, dos dedos lestos

Quando tinges meu rosto de afeição;

É porque passam nuvens andrajosas,

A tez da Lua cobrem, invejosas,

E eu quero castigá-las sem perdão.

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