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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

As pétalas no chão

Em direcção à vida eu caminhava,

Tinha no passo a pressa... e... reparei

Nas pétalas no chão. Me abrandava

O passo. E assim, à vida não cheguei.

 

«Lindas as pétalas de púrpura cor!

Mas neste chão imundo?», eu perguntava

«Que flor deixou rasto do seu amor?

Que amado belas flores à flor dava?»

 

Então, eu vi passar uma senhora,

Na mão, ramo de flores, a chorar.

Tinha chegado, ao esposo, a negra hora.

Nem pude, esta senhora, consolar.

 

Quem vê chorar (quem sente) também chora,

Como as noites de estrelas e luar.

O querer do homem e da mulher

Tu não me queres, como eu te quero.

Tu queres-me como eu não te quero,

Mas se me quisesses como eu te queria,

Eu querer-te-ia.

 

Mas mesmo assim insistes em querer-me,

Como eu não sou capaz de querer-te,

Quero querer-te como não me queres,

Mas tu não queres.

 

Eu até poderia, um dia, querer-te,

Se deixasses tanto de me querer,

Mas porque tu, ainda assim, me queres,

Deixei de querer

Grato por te amar

Pousei, devagarinho, a minha mão no rosto,

Senti na fresca pele, o toque suave e doce,

Amo a nova dualidade, como se fosse

O bálsamo divino por infortúnio imposto.

 

E na mimosa face, minha mão encostei,

Subindo meu prazer de vê-la, tê-la, amá-la,

A Musa sonhada, mulher que eu encontrei,

Numa caverna escura, ousado, fui raptá-la.

 

Parece uma amarela rosa que floresce,

Entre as mais belas flores, cobertas de luar,

Guardada, gentilmente, por alto cipreste.

 

Olha como, amor, a tua árvore cresce,

Sentindo a gratidão por te poder amar,

Crescendo, vigoroso, com o amor que deste.

As lésbicas

Fundem-se duas fêmeas, dulcíssimas, eróticas,

Sobre um leito nervoso de penas de pavão

E numa ardência calma, brandas e simpáticas,

Beijam-se, inscientes, com meiguice e devoção.

 

Tangem as liras feitas de rósea e branca pele,

Deslizam suavemente na carnação perfeita,

Parece o feroz urso buscando o doce mel,

Com a mão remexendo, onde a colmeia é estreita.

 

Circula a langorosa língua, oferecendo

Amorosas iguarias, servidas com ardor,

E revirando os olhos, a de baixo, recolhendo,

Com nervoso dedinho, esfrega em baixo a flor.

 

Movem-se, elegantes, a languidez felina,

Entrando na floresta, à procura de alimento,

Num espasmo de prazer, o corpo sobe, empina,

Como se revelasse o excelso pensamento.

 

Nem diálogos, nem versos, nem promessas,

Nem vãs declarações de afecto, de união,

Unem corpos esbeltos apenas em compressas,

E saciadas vencem leis da vida e da Razão.

 

São duas rolas firmes, discretas e perfeitas,

Juntam-se como irmãs unidas, recolhendo,

A linfa, escorregando pelas pernas direitas

Com lábios secos vai bela ninfa bebendo.

Amor Platónico

Há quanto tempo o teu amor platónico

Habita no teu peito, na tua alma

Há quanto tempo tu dormes sem calma,

Usando esse sorriso oco, sardónico?

 

Há quanto tempo, com alguém, não sentes

Que a dor tem cura, numa ardente boca?

Mentes quando tremes os teus dentes,

De diabo, de demónio, débil, louca.

 

Quanto tempo suportas na mentira

Desejo por palavra carinhosa,

E a vida à frente passa em procissão?

 

Crava-lhe no peito o que nos tira,

A humana sensação de alma vaidosa

De ser mortal! Coragem! Diz-lhe NÃO!

O rancoroso

Há quanto tempo a brisa vem dizer-me,

Notícias tuas, como tens passado,

Há quanto tempo o sol não vem trazer-me,

Seu rutilante raio, e iluminado

Do espaço preenchido – o meu primeiro

No derramado pranto doce e amargo?

Invoca o deus alado e desordeiro,

E bebe deste tempo um longo trago.

 

Há quanto eu não chamava por teu nome,

De flor enrubescida? Teus espinhos,

Na carne tens cravado pela fome,

Ouvindo os cânticos dos passarinhos?

Roçando nossa inútil existência,

De passagem, arrastando a saca cheia,

Vícios, encolhendo nossa essência,

Vítima das práticas de Medeia.

 

Há quanto tempo eu não ouvia o rir,

Encher salas vazias de saudade,

Encher-te as brancas faces a sorrir,

Da cor da Aurora a rires-te de verdade?

Passaram tantos dias, tantas horas,

Havendo num minuto verso alado,

Nem um sai-te da boca. Ainda coras,

Quando amorosa quebras mau olhado?

 

Será que ainda enches os salões,

Decorados de demência, de loucura,

Será que ainda iluminas mansões,

Onde se oferece mais do que a ternura?

Ainda manténs os teus falsos contactos,

De amigos congelados desde infância,

Ainda desfazes pazes, quebras pactos,

Tratando de ser feita nova aliança?

 

Ainda lanças pedras ao teu amante,

Nos prantos que por ti ele chora e arrasta,

O sofrimento, desperdício errante,

Se finges ser submissa, branda e casta?

Continuas a deixar a luza acesa,

Dizendo-me: “Eu estou cá. Não queres subir,

É mister recordar a tua Beleza,

Para não querer voltar, antes partir.

 

Ainda serves vinho no tapete,

Perfumado com marítimos odores,

Esbelta colocando aquele corpete

Ateando fogos, jogos, sedes, dores?

Seres árvore, nos ramos, dar o fruto

Apetecido e raro; e ser colhida,

Por criminosa mão dum ser astuto

E escorregando pelo chão perdida?

 

E quando eu te cheirava, ó Flor do Mal,

Nas redondezas do teu corpo frágil,

E entrava, como um conde triunfal,

No salão principal, confiante e ágil?

As mãos que me estendias, respeitosa

Fazia questão de cumprimentá-las

Assim se as pernas descobrias, rosa

Fúria de nas minhas entrelaçá-las.

 

Enfim, tudo passou. Fico contente

Por este longo tempo que sofri,

Ver-te, flor espinhosa, novamente,

Alcanço os altos montes que subi,

Rasgando a pele na escarpada morte,

Entregue aos vãos cuidados do infortúnio,

E hoje vens, radiante, entregue à sorte

Queres que agora assista ao teu declínio?

O despertar

Duma janela espreito. Venho ver,

E ouvir o que manhã tem para dizer,

O sol, o céu a abrir-se, as nuvens brancas,

Quando tu, com teus olhos, os meus estancas.

 

Manhã pálida fria, meio Inverno,

Piar ininterrupto meigo e terno,

Parece dar o alarme, a sentinela.

Serás tu, a cantar, ó Filomela?

 

Suas irmãs, voam para bem perto,

E em volta, o mundo acorda bem desperto,

Aos longe, as oliveiras adormecem,

Estrondo! As andorinhas desaparecem.

 

Durante um doce instante silencioso,

Renasce das cinzas vigoroso,

O cântico de quem já denuncia,

O lento começar dum novo dia.

 

Passando o muro, ladra um pobre cão,

De frio, de abandono, de aflição,

Ladrando num cântico bem diferente,

De quem se esquece mesmo do que sente.

 

Desperta a Aurora tíminda; subindo

O sol começa o dia reluzindo

E as nuvens passageiras reconhecem,

Louro poder. De espanto, desaparecem.

 

Os voos das andorinhas em espirais

Nunca são, para meus olhos, demais,

E os ninhos que deixaram nos telhados,

São por elas, novamente, ocupados.

 

A húmida terra traz-me um suspiro,

Donde da minha alma a tristeza tiro,

De haver um novo dia, outro começo,

Onde me encontro só, onde me esqueço.

Canção outonal

Como hei-de exprimir isto que até sinto,

E que não sei transpor para o papel,

O verso opaco torna-se indistinto

Transborda amarga taça, enche de fel

Isto que minto.

 

Uma gaivota voa e eu com ela,

Juntos na tristeza sem assunto,

Apago-me qual chama duma vela,

No verso, há a brancura dum defunto,

Ó vã sequela.

 

Dorme em paz martírio aconchegado,

Nos teus lençóis machados de carmim,

Tingindo por mãos rudes, se extirpado,

Que à pobre vida entrega amargo fim,

De sonho frustrado.

Singularidades

Sou quem procura nos teus seios risos,

Nas tuas mãos, as vibrações constantes,

Nos braços, os abraços indecisos,

No peito, os ais, gemidos inconstantes.

 

Sou quem remexe no teu corpo a terra,

E escava como quem anda à procura,

No leito, a dura e ofegante guerra,

Tesouro róseo, fonte da fervura.

 

Sou quem procura olhares, mil prazeres,

Fusão de corpos lânguidos, suados,

Sem qu' o amanhã me int'resse ou que me importe;

 

De Vénus, amo os jogos, os lazeres,

Árias nocturnas, ritmos sincopados...

Sou quem pensa, que amando, vence a Morte.

Vaidade

Sombra, porque à minha frente danças,

E nunca me revelas quem tu és,

Sombra macabra, porque não descansas?

Sempre colada aos dedos dos meus pés!

 

Ó Lua, tu que habitas lá no alto,

Chão para poucos homens, me persegues,

Corres pelo verde escuro planalto,

Vens sempre atrás de mim? Não! Não mo negues!

 

Será pura vaidade quando digo,

Que à frente, a sombra, atrás, dolente a Lua

Chorando nos telhados sempre triste?

 

Responde a sombra: “eu quero andar contigo”

Diana diz-me: ‘tens-me sempre nua!’

Serei vaidoso? E a dúvida persiste...

O predador

«Não é paixão que em mim se entranha e sente,

Se a mulher loura e louca contemplamos,

Mordendo húmido lábio de contente,

Se a ela nossos olhos encostamos.

 

A carnação perfeita tem fluidos,

Constantes no fluir do sangue quente,

Eu perco loucamente meus sentidos,

A lucidez lunar constantemente.

 

Eu nunca vou poder tê-la em meus braços,

Extrair do corpo as vibrações das liras,

Tecer-lhe as mágicas transformações;

 

Eu nunca irei cobrir os brancos espaços,

Assim como tu, quando tu te viras,

Lançando em vendavais lindas visões.»

As Bacantes

«Pinturas colocadas num catálogo:

A escolha, num mover de olhos: o amor,

Surge, milagroso, num diálogo,

Que esmalta árido peito de verdor .

 

A nova imagem trepa ao pensamento,

Entrando no meu templo devagar

Acende, reacendendo, dando alento,

A quem, do outro lado me quer ‘amar

 

Procuro quem procura e alguém encontra,

Deixa-me uma romântica mensagem,

De um extremo tesão que embate contra

À rósea flor, na amorosa linguagem.

 

Olho como te abro as pernas, como

Orquídeas, cujas pétalas coradas,

Mostram rosadas partes só num tomo,

De beijos, de carícias orvalhadas.

 

Num gozo prometido, não me digas,

Guarda-o bem no teu saco permanente,

Terás esmolas que tanto mendigas,

Terás a tua Vénus, certamente.

 

Quero que só me ensines a voar,

Minhas asas incites, pomba branca,

E do meu corpo excelso me arrancar,

Da solidão, onde a minha alma estanca.

 

Traz os teus braços fortes, as mãos rudes,

Entumecendo o músculo nervoso,

E arrebatadamente me desnudes,

Com teu corpo de Apolo vigoroso.

 

Oferece-me, não túlipas, mas beijos

Mordentes. Deixa as flores no tapete,

Que a tua língua traga mil festejos,

E as tuas mãos rebentem meu corpete.

 

E que me queime do teu corpo o fogo,

Vulcânico, com raio fulminante,

Descer-me aos lagos onde amo e me afogo,

Num coração feroz e palpitante.

 

E tu, ó noite, cobre os meus segredos,

Que avance o mundo sem que eu faça parte,

Caminho há muito à sombra dos meus medos,

E possa, Vénus, entreter-te em arte.

 

Confusos os meus lábios, beijam bocas,

Tão líquidas, frementes, tão nervosas,

E as que beijei, ó deusa, foram poucas,

Porque provar eu quero as mais gostosas.

 

Exala, no meu corpo, hálito doce,

Dos nardos as fragrâncias e me tragas,

Felino olhar como se lince fosse,

Olhos com que me entregas e me afagas.

 

Pois fui, por teu alado filho, ferida

Com a dourada seta tão certeira,

Na louca excitação, a minha vida,

Tornou-se mais honesta e verdadeira.

 

De socorrer paixões, gemidos, ais,

Julguei-me a preferida do diabo,

Entre ânsias, cravam-me versos fatais,

Onde estremeço, grito, onde me acabo.

 

E possa vir-me vezes, quantas folhas

Frondosa árvore tem, quantas estrelas,

E amante, que com teu suco me molhas,

Entrega às Parcas vindouras sequelas.

 

Vem divino, amante, consolar-me,

Possas nervo de fêmea, me amansar

Da minha campa, vem desenterrar-me,

Senta-te e relaxa... Deixa-me amar... »

Desejo-te...

Desejo-te que em ti tu tenhas vida,

Demais, que possa dar-te o que mais queres,

Colhendo flores num jardim perdida,

Entre rosas, sorrisos e prazeres;

 

Te abrace um braço forte quando o sono,

Vem de mansinho dar-te doce abraço,

Quais cânticos dourados de um outono,

Acompanhando o ritmo do teu passo.

 

Amada sejas por quem tanto te ama,

Por teu poeta, dando alto argumento

Que vem, nas negras horas, consolar-te:

 

Ter sempre quem por teu nome reclama,

Que anda sempre contigo em pensamento,

Cantando o teu amor por toda a parte.

 

Soneto dedicado aos Pupilos do Exército

Mais do que um lar ou pátria, mais que um mundo,

Mais que uma vida dada em vão perdida,

Mais do que estátua em mármore esculpida,

Por louco genial, na arte fecundo.

 

Viver feroz, amando no segundo

Momento inteiro, azul de alma vencida

Nunca vivida em vão, sempre querida

No hino, que dá vida a um moribundo.

 

Nos corredores da minha mente ecoam,

Tudo o que tanto amei como aprendi,

Que em nós os cânticos fortes entoam,

 

Canto bem alto, os que viveram nela

De azul, a gente que nunca esqueci

Daquela casa tão ridente e bela.

A Tempestade

As nuvens negras correm apressadas,

Numa procissão fúnebre, espantosa,

No gesto, a Mãe Natura rigorosa.

Convoca os ventos, nuvens carregadas.

 

O raio fulminante fere e enterra

Ouvem-se perto os rábidos clangores,

Deixou de ser mimosa mãe de amores:

O Céu declara à Terra a feroz guerra!

 

A chuva grossa cai furiosamente,

As mutiladas árvores estremecem,

Os ventos cantam cânticos satânicos;

 

E este atroz negrume oprime a mente,

Dos deuses rancorosos (nada esquecem),

Lançando-nos pavores, medos, pânicos.

 

Uma andorinha...

(Dedicado a Alexandra Felix...)

 

Por mais que este antro esteja um ermo obscuro,

Traz sempre amplo sorriso no seu rosto,

Luzidio qual espelho limpo e puro,

Trajando com esmero, com bom gosto.

 

Por mais que o sol se sinta mal disposto,

E manifeste alguém ser inseguro,

Sai sempre amplo sorriso do seu rosto,

Iluminando sempre o átrio impuro.

 

O dom que vem da própria natureza,

No nosso rosto vem sempre estampado,

Fluente rio, correndo calmamente;

 

Parece nunca andar na incerteza,

Branda andorinha com rumo traçado

Ferindo os céus, cantando alegremente.

 

Encarnação

Olhos tristes, pequenos, encovados,

No espelho baço, vence-me a rotina,

Lembranças, de momentos já passados,

Refila a minha alma porque abomina,

 

Viver, colado sempre no passado.

De tanta queda, esfolo a clara pele,

Eu louco, eternamente apaixonado

Movo-me por um medo que me impele.

 

E tu, dos olhos claros como vidros,

Que os meus, nos teus, andaram tão perdidos,

Que oferta tens tu, corpo ou tentação?

 

Tu sabes. Teu olhar diz que me estudas,

Se em ti procuro o Triângulo das Bermudas

Se em ti procuro a doce encarnação.

Ode à Orquídea

Orquídea ardente, branca e sedutora,

Alva como a estrela,

Que nasce quando o sol ainda dorme,

Nas moradas de Aurora,

Tens fogo que não posso nem colher-te,

Teus braços de veludo.

 

Felina flor, fatal, provocadora

Que amor algum cancela,

Que um dia, possa desse amor compor-me,

Na pétala que cora 

De longe possa a Lua adormecer-te,

Tens sol, Lua, tens tudo.

 

Tu, dos tristes olhos, consoladora,

Tão fresca, ardente e bela

Com a Beleza, possas descompor-me,

Naquela negra hora,

Que não podendo calmo, amar-te ou ter-te

Cante meu amor mudo.

À Pureza

Enquanto houver sorriso como o dela,

Qual alva estrela na manhã brilhante,

Valendo que qualquer fútil diamante,

Serei, na escuridão, a sentinela,

 

Da pureza, na ternura, na procela,

Fragosa vida como a dura encosta,

Travando o mar, que o mar tanto desgosta,

Mover-me-ei por almas como aquela.

 

Escrúpulos, não planta o feroz mundo,

E afunda-se no mar negro profundo,

De limos, de despojos, de naufrágios.

 

Porque estas flores nascem tão espontâneas,

No campo verde. Enquanto houver Estefânias,

Num vaso, eu ponho versos como adágios.

Abstracções

Perdoa-me se me escapam as palavras,
Vagas como o chão que agora piso,
Estou mais atento ao jeito com que cravas,
Nos meus olhos, um doce olhar, preciso.
 
Reparo nos soluçar constante,
Dos movimentos ternos dos teus lábios,
Soa-me a esse amor sempre inconstante,
Eterna inquietação louca dos sábios.
 
Reparo como os teus cabelos caiem,
Se em quedas de água fina, ou vagas mortas,
Se para os ombros firmes teus descaem
Se adornam doces seios que confortas.
 
E num piscar de olhos, num segundo,
Ínfimo que seja, valem horas
Durante um breve sono tão profundo,
Ver-te as mimosas faces quando coras.
 
E num pequeno instante, recomeça
Conversação menor, se tu me escapas,
Uma palavra solta, dita à pressa,
Debaixo dum luar com que me tapas.
 
Mesmo enquanto vertes coisas pueris,
Que nunca taças enchem por completo,
Acalmas, dom da suave flor de lis,
Ficando vagamente circunspecto.
 
Enfim. Mas passará, como as estações,
Que nunca duram sempre e sempre voltam,
Com novas árias, odes e canções,
Quais mares, quando novas ondas soltam.
 
Descansa. Eu permaneço sempre igual,
Por mais que tanto igual eu não me queira,
Sou pássaro que poisa em teu umbral,
Que vem cantar-te sempre à tua beira.

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