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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Anoitecer

Já vai descendo o sol no horizonte,
A Lua alegre no Céu vai subindo
De prata, lança um manto sobre o monte,
A luz que emana do teu rosto lindo.
Vem ver comigo a noite que vem vindo,
Como escorrendo fresca água da fonte,
Vendo iluminada ao longe a ponte
Banhando-se no rio que vai sorrindo.
Que bela a harmonia do universo!
Qual ser que não fica nele submerso
Debaixo dum olhar vago da Lua?
Sentindo a gratidão por ter-te ao lado
Fico, num doce êxtase, mergulhado
Entrelaçando a minha mão na tua.

Incapacidades

Não sei porque me invade esta tristeza,
Nem sei qual fonte brota este licor,
Amargo, como não deter certeza
Sobre a verdade, sobre o Ódio e o Amor.
Sei que sinto somente esta dor,
Que me enfraquece a fraca natureza
Tem a elegância, tem a subtileza
Turvando a minha alma, a minha cor.
À sombra das árvores desgrenhadas
Vagueio inutilmente acomodado
No ritmo andante frágil dum mendigo;
As minhas crenças parecem-me erradas
Tornando-me indistinto o próprio fado
E dizer o que sinto, não consigo.

A um fantasma

Passaste jactante, nada disseste
Nem cumprimento, um olhar esboçaste
Um encolher de ombros me ofer'ceste
“Não te falei?!” Claro que não falaste.
A máscara quebrada que usaste,
Serviu-te de muralha. Defendeste,
Melhor que no Inverno alto cipreste
“Não te beijei?!” Claro que não beijaste!
Podes passar como chaga ou fantasma
Sorrir, escarnecer ou nem falar,
Como quem, sobre nada, nunca pasma.
Mas quem te quer ouvir também falar?
Teu aborrecimento é um miasma
A negra peste num seio a alastrar.

Penitência

Por mais que em vão insista em ignorar-te,
Por mais que a razão chame e não me tente
Não posso amar-te mais abertamente,
Ficando deleitado ao contemplar-te.
No coração, a rédea. Ao adorar-te
Ateio o sentimento em mim dormente
Ilusão teu mundo ser diferente...
Que louves meu silêncio em vão honrar-te!
Teu corpo gracioso é meu tormento
E só no pensamento eu posso amá-lo
Nas praias amplas deste envolvimento.
Talvez possa deixar-me ir neste embalo,
Na eternidade, e que não deixe o vento
Esta minha constância ao procurá-lo.

Glorioso

O povo é Deus que dá a fama e tira,
Que alguém admira, adula, gasta e ama
Que eleva nome algum aos céus da fama
Que ao mesmo nome seu ouro retira.
Juíz o povo: um feito grande admira
De artista, guerreiro, ou gesto de dama
Que facilmente um nome lança à lama,
Que facilmente alguém do avesso vira.
E eu, que tanto aspiro à fama e glória,
Não ignorando o eco à minha história
Deixo de amar quem me faz ser ditoso;
E eis que perco a tudo o amor, vontade...
Vejo na minha amada a divindade,
Pois conquistá-la é um feito glorioso.

Inspirações

Livrar-me deste fardo tão pesado,
E ver no Além distante a eternidade,
Não chega p’ra assumir uma verdade
Não chega para encarar negro fado.
Sorvi um bom momento, um mau bocado,
Voei duma quimera à realidade,
Ouvindo uma nova tonalidade
De amar e poder ser também amado.
Mas mais do meu poder, mais do que resta
Que humilde verso brota ingente fonte
Nas escarpadas rochas dum poema
Não tem sublime ardência e já não presta
Fixo os olhos vagos no horizonte
E espero no amanhã por melhor tema.

Sentimento dum ocioso

Meu verso trabalhado em ferro ardente,
Empresa de poeta tão esforçado
Beleza, fonte seca e... nada em mente,
Que amanse a fúria deste triste fado.
Dos barcos, onde assíduos passageiros,
Navegam venturosos noutros mares
Vejo-os, não parecendo verdadeiros
Nem levam liberdade em seus olhares.
Pendente no universo vasto, canto
Beleza inefável bebida em dia
Mas hoje causo nojo só. Portanto
Meus olhos fecho e ...não há poesia!
Pois esfarrapado verso anda andrajoso
E o mendigo estro olha-me hoje ocioso.

Miragem

Confusos somos, meu estimado amigo
Impuros, distantes da natureza,
Ignoro se há pureza no que digo,
Como correndo o rio brando em certeza.
E no que escrevo e sinto
Verás em vão se minto,
Como querer ao verso imprimir,
Uma grandiosidade,
Ecos na eternidade
E ver o nosso nome refulgir.

Umbroso coração, espessa folhagem
Cantando quando o vento vai e vem,
De súbito, uma turva e negra imagem
Um vasto mar oculta o que nele tem.
E nele mergulhar,
Bem podes encontrar,
Míriade de segredos tão profundos,
Mas emudece fora,
Uma sereia chora,
Que almas encantam em poucos segundos.

E nesse olhos que tu mergulhaste,
Vasto mar que louco contemplavas
Na imensidão, incauto, não lembraste
Se a pura liberdade respiravas,
E dizem-nos, instintos,
Desejos indestintos,
Que estrelas cintilando em vão nos guiam
Mas no teu coração,
Plantou-se uma ilusão
E à volta lindas flores floresciam.

Seus traços decoraste, o seu perfume,
O andar, os gesto musicais, olhares
E do prazer, fizeste o teu costume
Do fruto doce, desejo provares
Mas subiste, porém
À árvore que tem,
Maior sabedoria, e atrevimento
Dos deuses ignorando,
Com o fruto sonhando,
Maior na ousadia e sentimento.

Ó proibido (sem sequer que exista),
Proibe a mente mais que a alma inteira
Aclara à Humanidade cega a vista,
Porque amigo meu, não foi a primeira
A tua branda alma,
Verter veneno em calma
E vivendo em perfeito cativeiro,
Aberto abismo em ti
Que eu de longe aprendi,
Que nisto não serás do Amor primeiro.

Suporta o frio d’ Inverno rigoroso,
Sofrendo por inteiro os seus ofícios.
Verter lágrimas é mais saboroso,
Quando pelas tristezas, não por vícios
No refúgio do lar,
Um brando lume a crepitar
Que a ti, mais do que p’ra mim guardo, esp’rança
Terás um renascer
Novo, um outro saber
Não passando mais do que uma lembrança.

Complemento

(Dedicado a P...)

Já para ti, de noite é o teu dormir
Profundamente, mergulhada em sonho
Ao contemplar-te sinto a alma sorrir.
Que eloquentes versos na mente eu ponho!.
A gratidão que sinto, não por ti
Somente, mas por quem te enviou linda
Áurea reluzente. Vê o que extraí
Da aurora, cores que em manhãs nos brinda.
Ver-te assim me lembra o aconchego,
Refúgio a quem tomei-lhe tanto apego,
Razão maior de não lograr-te, amor
Porque quem diamante tem e quer,
Tesouro ‘inda maior, deverá ter
Profundo abismo de dores causador

Lua Cheia

Por caminhos mais lúgubres diria
Fragoso mais é este peito infecto,
E sobre o que fazia,
Voos quentes de insecto
Ilustre amendoeira que floresce,
No viço em erma mente nela cresce,
Alheio ao pensamento circunspecto.

Olhar de deus nas nuvens quando a Lua
Lá no lar elevado mais que o nosso
Majestosa insinua
Esticando seu pescoço,
Contempla e forma olhar divino e estranho
No Céu violeta traça um belo desenho:
“Eis, ó Deus, que olhar atento o vosso".


Longa espera

De rocha não sou feito nem de areia,
Que fina escorregando entre os teus dedos
Volves cantares mansos de sereia,
E um ramo horrendo fazes com meus medos.
Deixa entrar, piano, a minha estima,
Porque a Lua reprova lá de cima.

Nos céus macios, divinos, flutuava
Porque a graça detinha do teu gosto
Co’ as róseas cores d’ Aurora, eu comparava
Crepúsculos dum sol maduro e posto.
Extraio as negras cores de céus d’ Invernos
De leis criadas por tão maus governos.

Obter perdão de ti será empresa,
Tão nobre o gesto, duro de quebrar,
Enquanto isso não dura, a framboesa,
Sabor da tua boca, eu vou esperar,
Quando o meu sorriso o teu convide,
Qual luz do sol densas trevas divide.

Enigmas

Não te entendo! (Nem sequer devia)
A mente humana, amálgama terrestre!
Maior desprezo que hoje me ofer’ceste
Germina o verme que no imundo cria.

Paira um nevoeiro agreste. O dia,
Mais não oculta sobre o que entendeste,
Tentei firme manter-me qual cipreste,
Guardião dos mortos... vivos, não havia.

Serei as nuvens, Sol, teus olhos claros
Rochoso, sorvendo teus desamparos,
Enquanto à costa dás a dor maior;

D’ amuos, nada se ergue. E amuando,
Vai nosso belo mundo desabando
E nada disto eu chamo, amor, de Amor...

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