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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

Mais de mil poemas escritos às escondidas De António Codeço (1976 - 20??)

...

Ves-te no espelho mas sem te veres,
A ti própria teu próprio realejo,
Assim como no espelho não me vejo,
E tu a mim me vês por meu corpo teres.

De ti o olhar é como num lago,
Nossa visão do que julgamos ser,
E agitando com um dedo as águas límpidas,
Terás nítida visão de que me estás a ver.

Saberás um dia, Mulher, o que é gerar,
Dentro de ti vida, semente se o desejares.
Mesmo que desejasse, nunca saberei,
Apenas cuidar do que plantares.

...

Num dia perco parte de mim,
E desconheço o quê ou quem,
O faz; sei que me disperso,
Pelos quatro ventos ou cantos do mundo.

Talvez me encontre num passeio,
Apanhe mais tarde os bocados de mim,
E me devolvam a plenitude de criança,
Que amadurece sem saber o que isso é

...

Vejo a realidade como da Lua,
Se vê o azul da Terra ou se deverá ver,
Na Terra vê-se o mundo e o azul destoa,
Errando a Humanidade sem se arrepender.

Vejo da torre alta a cidade sem a ouvir,
Repique de sinos surdos e por trás o vento,
Na rua oiço tudo sem que oiça o meu sentir,
No desejo de ter um só pensamento

...

Não perdoas esta minha ousadia,
Pisando-me com julgamentos inquisidores.
Mas concluirás que puro é, todavia,
Falar das paixões, de beleza e amores.

Não me maravilho à toa assim
Tenho apetite e fome de felino,
Com os olhos vou focando o alvo, o fim,
E lanço-me na Beleza como um menino.

Que tenhas sublime sabedoria,
Perdoando-me esta falta de subtileza
Se ao contrário fosse perdoaria,
Contemplares os teus afins jogos de beleza.

Quem retido nas trevas sobrevive,
Renasce quando propaga a sua alma,
E Luz divina exala e assim vive,
Como um pedinte de paz, amor e calma.

...

Já não valem os versos de ontem,
Tanto como ontem valeram,
Leio-os hoje e enrugo o gosto
Não me envolvem como ontem envolveram.

Olho-os por cima do meu ombro,
Atento se me seguem o rasto,
Porque hoje criam-me só assombro,
E deles todos fujo e me afasto.

Já não vale nada o meu passado,
Escrevi na lápide de tantos erros
Que cometi: " Jaz aqui enterrado
Quem detinha quase todos os medos.

E que vale hoje este presente
Dia estando só não se vivendo?
E que valerá à futuro à frente,
Se tantos erros ainda estou cometendo?

...

Sei quanto não faço sem liberdade
Impele-me o medo que a providencia,
Nada sei, porém, quando na verdade
Depois de livre ser, o que faria.
Brilha um Sol depois da tempestade
Rompendo nuvens, entrando p’la gelosia
Num espanto viçoso na flor da idade
Arauto da Liberdade e dum novo dia.
Mas crava afiado gume punhal destino
Sol de Ouro breve de pouca dura,
Repica o recolher do povo o sino,
Incendiando o Céu uma alma impura.
E escapa-me a liberdade por entre os dedos
Escrevendo ao Destino novos enredos.

...

Deixei de cantar como antes cantava,
Porque a realidade deixei
Pensei que com o tempo não me importava,
O Belo que amei.
Afasto-me seco do mundo que amava
No chão me prostrei
Dos bolsos cairam os mais belos que guardava,
Versos que cantei

...

Este não me ocorrer nada,
Chega a ser enfado
Nada me alegra, nada me agrada
Como se do mundo desligado,
Estivesse - antes assim fosse,
Como nas noites madrugado
Meu ser alegre escapou-se
Deste corpo jovem cansado

...

Das árvores tenho ouvido lamentos,
Preces de quem triste pende a fronte,
Não só a fúria íngreme dos ventos,
Mas do Velho maldizente do monte.
Concebe-se na fornalha inventos,
Secando as águas puras da fonte;
Escutei das árvores os lamentos,
quem morre de sede e se esconde.
Das caixas que insultam Pandora
Oiço mentiras de excêntricos profetas
enquanto pregam numa triste hora
Mas sei que não são meus poetas
Que expressam com mentes abertas
Realmente quem o Mundo decora.

...

São gotas caídas do céu de luz
num mundo de pez, negro cerrado
Entregue às feras e abandonado
Que sendo escassas, reproduz
Esplendor de feixes do bastão lançado
de feiticeiro que olhares seduz,
De almas vagas às quais me impus,
Um ardor meu como iluminado.
De juízos o julgamento é vão,
Fonte dúbia, de punhal na mão
Temo quem de sorriso se reveste.
A rua é estreita, escura a que escolho,
E o tempo passa como piscar de olho,
Como o sol no horizonte investe

...

Quando acabará a tempestade
que ao Sol desaba em mim?
Quando terei a liberdade
meu sono de querubim?

Quando conquistador serei
dos reinos que foram meus?
Quando me libertarei,
Aos inquisidores teus?

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