POESIA ÀS ESCONDIDAS
1111 poemas escritos... De António Codeço (1976 - 20??)
14 de Maio de 2012

Essas frases de vidro nos meus lábios secos

Cortaram meu coração dorido e ansioso…

Que o dia passe, como o vento passa,

Encurtando as horas quando amargas são

Não deixem papoilas sangrentas

Nos campos do meu ser.

 

Espalhadas, como essas flores ardentes,

Parece que por ali passou um deus que
sangrava

Qual veado correndo na floresta

Em que eu, que por ali caçava metáforas velozes

Feri-o sem querer.

E agora vinga-se.

 

Que nó de gravata na barriga

Que folhagem ao vento as minhas mãos
trémulas

Veneno devorador por dentro do corpo

Ânsia fora de mim como se nunca viesse

Um raio de sol espreitar na minha cela

publicado por António às 13:23 link do post
20 de Abril de 2012

Eu sou qualquer bicho do mato,

Que por mil cidades vagueia

Sou escaravelho, centopeia

Sou javali, tigre, macaco,

 

Feroz leão rugindo a morte,

Um tigre que a morte anuncia,

Sou serpente que dita a sorte,

Aos Homens, com muita alegria.

 

Como mil folhas de bambu,

Em pensamento, eu sou um panda,

Sou boi, sou búfalo, sou gnu,

Sou crocodilo que não anda,

 

Sou veloz chita perseguindo,

A presa esquiva, o meu destino

A lebre alegre que fugindo

Faz do grande ser pequenino.

 

Na funda toca me protejo,

Sou Rei dum próspero país,

Mas se vieres dar-me um beijo,

Não sou nada, mas sou feliz.

publicado por António às 13:42 link do post
19 de Abril de 2012

Nasci para sentir mais esta vida

Para descer a encosta até ao mar,

Onde a vida irá um dia desaguar

E cega minha alma andará perdida,

 

Sentindo o pavor da alma ser esquecida,

Quanta saudade, ou não, irei deixar,

Tudo tem fim, tudo tem que acabar

Darei o meu lugar a outra vida.

 

Eu grito ao mundo inteiro a dor que sinto,

Deixei-a presa ao meu branco papel

Para tornar-se pó e esquecimento

 

Como alucinação de amargo absinto

O amor deixou-me entrar no carrossel

Que está sempre em constante movimento

publicado por António às 16:26 link do post
18 de Abril de 2012

Searas espessas de rostos, sonhos desfeitos

Homens falíveis nós somos, seres imperfeitos,

Grito a navalha espetada funda na barriga,

Na vida cansada, com ela faço uma cantiga.

A morte que vem à janela dizer-nos “bom dia”

O tempo que passa e nos lembra o tempo que havia;

Contemplo o relógio parado na velha estação

Do comboio que parte da alma ao meu coração,

Que crime cometo por dar à luz um poema

Vadio, proscrito imperfeito sem escolher um tema.

Quem disse que um tema devia um poema ter,

Se nele não cabe o universo que há para dizer?

Resgato no tempo meus sonhos feitos prisioneiros

Uns são frutos da vaidade, outros verdadeiros.

Quem sonha merece na terra a medalha de ouro,

Por ter descoberto na vida um rico tesouro.

publicado por António às 17:52 link do post
17 de Abril de 2012

Estou onde lentamente morro devagar

A soletrar meus dias árduos de labor,

A minha dor é lenha que arde sem parar

Meu coração suspira ansioso por amor

 

Meu cérebro, um jazigo de imagens passadas

Um túmulo de mármore onde crescem rosas

Lânguidas, que soltam suspiros desfolhadas

De dores contidas em noites dolorosas.

 

Longe de meu corpo ser jovem dinâmico

Vou caminhando em frente perto ao precipício,

Este poema é o meu creme balsâmico

Onde aplico nas feridas fundas dos suplícios.

 

Sacrificar-me por quem me derruba e mata,

Quem me puxa a camisa e esmaga as minhas flores

Onde constroem prédios e bairros de lata

E que no meu jardim secreto plantam dores.

 

Deixei-me ir na corrente mais forte do que eu

Sou barco de papel que no rio se arrasta

Desesperado em vão, tento agarrar-me ao céu

Para salvar-me e ver que a vida não me basta

publicado por António às 16:43 link do post
10 de Abril de 2012

Nas pavorosas margens dum rio triste,

À sombra dum salgueiro recordei,

Os dias gloriosos que passei

Na verde infância que não mais existe.

 

E ao rio que passava perguntei:

“Serei aquele que era sorridente?

E o rio que não fala e que não sente,

Não respondeu. E então, triste chorei

 

Meu rosto era um narciso desbotado

Minha alma, fruto da fútil vaidade,

Meu coração de pedra, era um rochedo,

 

O olhar era mendigo abandonado,

E, por sentir o aperto da saudade,

Na água, vi meu reflexo. Metia medo…

publicado por António às 16:03 link do post
05 de Abril de 2012

Nãome imagino ser, aquilo que hoje sou,

Nos tempos que virão (se vierem para mim)

Gostava ser o verde arbusto que cresceu

Que sombra não me deu mas deu flor de jasmim.

 

Quem fui, o que queria, o mesmo, o que sonhava

Onde depositava sonhos no papel,

Flori numa charneca crua na cidade

Ergui dentro de mim, a torre de Babel.

 

Naquela idade quando o amor parece água

Que não é mais que um copo cheio de cicuta

Escrevia obscuros versos sob ânsia e mágoa

E a tristeza inútil se tornava diminuta.

 

Lia, abria livros, qual bibliotecário,

Com a determinada crença de coisa nenhuma,

Na minha mente havia papagaios no céu

Mil flores floriam, hoje só tenho uma.

 

Que poema este que não o sei escrever,

No lugar sinistro onde não quero estar,

Nem sei pensar sequer o que hei-de de fazer

Ser outra gota de água no imenso mar.

publicado por António às 15:50 link do post
29 de Março de 2012

Abre a flor de laranjeira,

Cheira a cor, a primavera,

Suave toque da quimera,

Quando cresce em nós inteira,

Num lençol de brisa vem,

Perfumar à minha beira,

Colho a flor, cheira a ternura

A paraíso, a formusura.

 

Somos flor de laranjeira

Na vasta eternidade,

Provem, cheirem, desabrochem,

Esqueçam um pouco a verdade,

Dela, em busca, é vã empresa

Busquem na vida Beleza,

Que a verdade amor nos tira,

Por ser tudo uma mentira.

 

Mandai fora essa procura

Dar à vida um sentido

Ser feliz é estar perdido

Na flor que nos dá ternura

Atentai a quem nos prende

Sem que nos toquem sequer

Ladrão é só quem nos rouba

Em vida, o nosso querer.

publicado por António às 17:18 link do post
20 de Março de 2012

Que seremos nós dois,
Quando os ventos varrerem os anos,
Quando as flores forem perfumes,
Quando o sol afastar-se da terra?

Diria uma árvore qualquer
Tu, a cidade, igrejas e casas
As ruas, estátuas, as amplas calçadas,
se guardares mil beijos na boca,
E eu trémulo, frágil, sozinho
No olvido da citadina penumbra,
O cipreste tremendo de frio,
À sombra de um beijo não dado,
Ao sol dum verão sem amor.

publicado por António às 14:00 link do post
19 de Março de 2012

Tão bom que é poder chamar-te pai,

Melhor ver-te e sorrir, ver teu sorriso

Estrela polar que diz-me: ”Tem juízo”

Meu bom, melhor amigo, meu bom pai,

 

És a estrela polar que bem me guia

Quando eu me lanço ao mar para navegar

Tão bom que é poder ver-te e te chamar

Meu pai, que a minha sombra me seguia.

 

Perdoa-me os meus erros como filho,

Nunca tive intenção tirar-te o brilho

Se não ouvisse o teu sábio conselho

 

Pois que se fosse ingrato e não te ouvisse,

E contigo meu tempo não dividisse,

Seria hoje em dia quebrado espelho

publicado por António às 14:53 link do post
09 de Março de 2012

Terás a eternidade para dormir.

Hoje sacudirei a toalha de estrelas,

Cairão no teu corpo de prado de leite

Mil beijos intemporais

Que serão memoráveis no teu íntimo

Se me for primeiro que tu.

 

É porque a Lua nem sempre vem,

Também ela tem os seus assuntos,

Às vezes vagueia sombria pelas florestas

Com os ombros desnudos e seio arfante

À procura do seu Endimião, não sei.

 

Sei que agora te vejo e tu não me vês,

Sei que não durmo enquanto dormes,

Como tranquila repousas; e a tua respiração

Tem do verão a quietude dos lagos,

De águas moles e transparentes,

Como óleos de cedro ondulando,

Pelas ondas feitas por nossos dedos.

 

Quantos morangos frescos na tua boca,

Amoras escuras no teu pomar ardente,

Quantos mirtilos no teu peito,

Na seca, apodrecem à sombra

De uma árvore nascida do cansaço.

 

Olhando próximo o rio de marfim

A lua macilenta entornava a sua graça

Parecia-me doente, constipada,

Ausente, com olhar vago. Diria

Catatónica, com um fio de luar

A sair-lhe da boca, pobre coitada.

 

Estou cansado de beijar a solidão.

Dormes num sonho, eu, na vida

Fato poeirento, gasto e desbotado

Com um nó de gravata que me estrangula.

Quero respirar no mesmo sonho que tu,

O ar parece-me mais salubre,

Que o ar áspero e sufocante

Que respiro solitário. Por favor,

Não me deixes cá fora…

publicado por António às 16:54 link do post
05 de Março de 2012

O choro da criança que mora por baixo de mim

Aflige-me como o rigor do inverno.

Roupa molhada colada no corpo,

Dor enxugada em dias de chuva.

Agora sinto melhor o canto dos choupos

Quando o vento chora.

 

A dureza de pedra do meu lar inacabado

É trespassada, como se este choro

Fosse ariete agudo, determinado

E rebentasse os pesados portões de bronze fulvo

Do castelo de nuvens e frases

Da minha imaginação.

 

Não se escrevem poemas quando choram crianças

Nem se regam flores, nem se lançam pedras,

Por mais urgente que a liberdade seja

E rebente chorosa num pranto impossível

Como triste e mendigo o meu coração…

publicado por António às 22:23 link do post
24 de Fevereiro de 2012

Logo pela manhã na luz límpida e clara,

Sob o nítido azul do céu que inspira confiança

No vento de nortada solto da caverna

Que vejo a humana gente como quem não dança.

 

Imundos, os passeios, minam-se de fezes

Os muros esbatidos por uma cor branca

É um papel qualquer para escritos obscenos

Um dente que apodrece mas que não se arranca.

 

Lindos, são tão lindos, meus irmãos fraternos

Outrora foram belos, hoje são fantasmas

Este, enfezadito, aquele que coxeia,

E o rosto da mulher coberto de miasmas

 

Quando saio do meu lar, vou para a estação

Do comboio generoso que por ninguém espera

Um túnel atravessa, inesperado surge,

Desfigurado um homem que lembra a quimera.

 

Caminho, na surpresa, vejo alguém que poda

Esquálidas palmeiras, fogo-de-artifício

Dum verde explosivo no ar que se não sente

Pendendo velhos ramos como em sacrifício.

 

Parte deste mundo vive adormecido,

Lembro, neste instante os que dormem na cama

Aqueles que nos cansam com suas mentiras

Trocistas que nos fazem rastejar na lama.

 

Levo na mochila só o necessário,

Comida, um diário, um livro, uma caneta

Sinto-me Salomão perto do paraíso

Durante quarenta minutos sou poeta.

 

Já vem cheio o comboio que entra na estação,

Depois de ouvir-se a voz metálica no ar

(Imagino-a no dia em que gravou sua voz

Às vezes sou assim, ponho-me a imaginar)

 

Uns dormem, outros falam, outros nem por isso

Outros lêem livros e diários da república

Uns estão empregados, outros nem por isso

Outros ao relento dormem na via pública.

 

Gare do Oriente! Aqui já sai mais gente,

Sente-se o comboio aliviar-se mais

As portas, ao abrirem-se, deixam-me contente

Sonho melodias, escrevo madrigais.

 

Quem viverá naquelas casas em ruínas?

Quem dormirá naquele tecto a desabar

As buganvílias púrpuras cor de crepúsculo

Não se esqueçam do cão preso sempre a ladrar.

 

Às vezes fecho os olhos, só para sentir,

O tipo de conforto que a noite nos dá

Por onde os meus fantasmas cheios de pensamentos

Na minha mente cantam do lado de lá.

 

Decifro, às escondidas, rostos curiosos

Uns, nada me dizem; porém, outros me inspiram

Um perigo gelado como a faca afiada

Que numa vida inteira amor nunca sentiram.

 

Por fim, o meu destino, eis o fim da linha

Diluído espreguiçar em sono e sonolência

Que mão nos moverá para o espaço invisível

Quando a Morte vier nos ler sua sentença?

publicado por António às 14:13 link do post
23 de Fevereiro de 2012

Corria nos jardins da minha infância,

No entardecer, era hora de ir embora,

"Amigos, amanhã à mesma hora!"

O mundo era um mar de irrelevância.

 

O giz no alcatrão eram poemas

Escritos pelas mãos mais delicadas,

As árvores eram príncipes e fadas

As folhas nos falavam vários temas.

 

As covas fundas eram como abrigos,

Cobriam-nos arbustos e folhagens

E os versos eram escritos nas ramagens

Com resina vendida por mendigos.

 

Que aperto essa vontade ver-me agora,

Na mesma idade quando era mais novo,

Quando ignorava que não havia povo

Com a corda ao pescoço em negra hora.

 

O vento, o sol, o verde, os malmequeres,

A roupa enlameada e as mãos sujas,

De noite, os candeeiros eram corujas

Como comer açúcar às colheres

publicado por António às 18:21 link do post
23 de Fevereiro de 2012

Meus olhos andam cegos de te ver,

O tempo, que me empurra para a frente,

Imaginar-te lírio não me consente

Nem longos beijos quentes de prazer,

 

Já não sei nada sobre o meu querer,

Os dias correm sempre, sempre à pressa,

Só fiquei com dores de cabeça

Que mais deverei querer além de ser?

 

Já se encaminha coxo este poema,

Para onde não sei bem sobre o seu tema

Que fala com a voz melodiosa

 

Já estive bem mais perto dum deserto

Por encontrar-me lúcido e liberto

Preso no espinho agudo duma rosa

publicado por António às 14:08 link do post
15 de Fevereiro de 2012

Bem sei que te sou estranho - e não me mintas,

Pois que teus olhos baços não se encontram

Fixos nos meus, frontais, dos quais me apontam,

O mal (porque estás mal), que de mim pintas,

 

E com requinte escolhes caras tintas,

Com que retractas meus erros e falhas

Depois de expostos teus trabalhos espalhas

Meu mal. É assim que vês tuas falhas extintas.

 

Que à velha maledicente dês ouvidos

Com que atordoa teus fracos sentidos

Não me surpreende mais, já é rotina;

 

Porém, de ti recuso o enxovalho

Mando-te humildemente para o caralho

Pois que te falta é mesmo uma vagina.

publicado por António às 15:32 link do post
09 de Fevereiro de 2012

 

É por ali que fluente a minha alma corre,

Nas águas tingidas de sumo de laranja,

No regressar dos corvos em bandos esparsos,

Ao chamamento misterioso do abismo fundo.

 

Sobe o mercúrio, termómetro do cansaço,

Em mim as aranhas prosperam, tecem teias,

Cansa-me o sol de ontem igual ao de hoje,

É mais baço o meu rosto que este espelho.

 

Olho-me, não me revejo, tudo um dia,

Acabará. Toda a sinfonia finda, no eterno, nunca

Aí, não haverá coisas para lembrar,

Como se a vida acabasse no momento de esquecê-las.

 

Na direcção do crepúsculo, virá o Outono

Ficará o sol a espremer uma laranja,

Dando de beber às nuvens quando passam

Como se fossem em busca dum tesouro perdido.

 

E o açúcar da laranjada crepuscular,

Está nestes versos que me adoçam a amargura

Tenho frio ao lembrar-me dos dias doces

De alegria efémera. Dói olhá-la pelos ombros…

 

publicado por António às 17:30 link do post
08 de Fevereiro de 2012

A noite solitária chega como se me beijasse os lábios

Atrás de mim, murmura-me no veludo «solidão»

Vingativa, como se a tivesse traído com a luz do dia.

Os brinquedos espalhados pelo chão sossegam,

Dormem como vigias sonolentas num quartel militar

Só eu fico, como fiquei sempre,

Lúcifer em pânico aos primeiros raios do Sol

Que procura no céu macio um refúgio, fugitivo.

Ao menos é brilhante, celeste, etéreo

Eu, de caneta em riste e papel virgem

Soam-me repetidos meus pensamentos iguais,

Ao aproximar o bico da caneta,

Ansioso, hesitante, infantil,

Sonhador de impérios vastos de cores expressivas

Ou mil e uma noites a multiplicar por mil,

Ou cem vidas, em que uma delas pudesse ser

A vida que sonhei viver e não vivi.

O vento é uma multidão compacta em fúria

Com gritos e uivos odiosos, arremessando

Pedras, ramos, troncos, folhas,

Ódio, palavras em fogo, revolta e perigo

E eu que não me suporto pelas leis criadas por mim,

Sinto violentamente o vento no rosto,

Como se eu fosse um ditador ou presidente,

Numa república nascida do medo íntimo do meu ser.

Que raio estou a dizer? Rasguei o silêncio!

Um avião que passa e me lembra um lugar…

publicado por António às 14:44 link do post
07 de Fevereiro de 2012

I know, I know: I am not the best
Among the great souls that I'd known
Who cares of sadness in my chest
Who cares if I rest in the Unknown?
These thirty five springs well completed
Reminds me deeply that I'm nothing
But pick one angel among men
To show if he's in Beauty something.
I'm not the prince of darkness night
Or sweet delight of women's dreams
I'm just a shadow in day's light
Unleast I am more that it seems.
this heavy burden without mask
Sustained by this unknown believe
the glimpse of cold of distant past
Of all those days I couldn't live

publicado por António às 01:17 link do post
25 de Janeiro de 2012

A angústia vaga ter nascido erva daninha,
A tristeza de poeta repugna, é repelente
Olha e repara, tem um dedo que adivinha
é a vela que ilumina a noite noutra mente.

 

Meus olhos se afiguram às câmeras digitais,
Os gestos musicais são mel na minha boca,
Se conversam comigo não escuto as palavras
Mas os gestos, esses gestos são mãos que me tocam.

 

Ó música embaraço na mulher ainda virgem,
que desponta auroras no rosto virginal,
A nesga dum bom busto causa-me a vertigem
Na camisa entreaberta num corpo carnaval.

 

Imagens, mil imagens em redes sociais,
de frases e poemas, de nada e de cio,
"Levemos desta vida o que não é demais"
Que não se leva nada para esse vazio...

 

Imagens, mil imagens, fome de aparência,
Vaidade que nos prende os olhos por minutos
Meu coração, na crise, declarou falência
Por estes versos ocos soarem diminutos.

 

Como este poema, que soava bem no início,
tornou-se entusiasmo dum simples amador,
Crescente, esmaeceu, tornou-se meu suplício
eu que no frio gélido busco algum calor.

 

Ignoro que sentido a vida possa ter
Se a vida é a descoberta que não faz sentido
A vida é queda de água, de água a gorgolejar
Mergulho nesta água, lúcido e perdido.

 

Por isso a saudade, nó górdio que sufoca,
da infância que partira verde, irreversível
A Lua é uma lente que lúcida me foca
O meu rosto lunar que sonha o impossível.

 

há frases diárias, diurnas que nos sulcam
No rosto, abrem valas no coração de lama
Há seios que nos prendem o olhar, e educam
Maternos, uma voz suave que nos chama.

 

Diluo-me na cidade, perco-me de vista,
Sou eco de uma boca muda que não fala,
Notícia de jormal, sou capa de revista
Mas só no coração que nunca mais se cala.

 

Penso, penso tanto, obscuro labirinto
Sou dédalo mental, fui meu próprio arquitecto
Grito, e este grito inútil vai ser extinto
Na escuridão do vale do meu ser abjecto.

 

Sou peça de xadrez que falta na partida
Entre as duas irmãs gémeas siamesas
a excêntrica Loucura, a Razão introvertida
Praticamente iguais de opostas naturezas.

 

publicado por António às 00:56 link do post
subscrever feeds
Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
mais comentados
28 comentários
21 comentários
14 comentários
14 comentários
14 comentários
13 comentários
13 comentários
13 comentários
12 comentários
12 comentários
12 comentários
11 comentários
11 comentários
11 comentários
11 comentários
10 comentários
10 comentários
10 comentários
10 comentários
10 comentários
10 comentários
10 comentários
9 comentários
9 comentários
9 comentários
9 comentários
9 comentários
8 comentários
codecoa
pesquisar
 
últ. comentários
Olá António, tudo bem?Há tempos que não passo pelo...
Nossa, Adilson, quanto honraMuito obrigado e esper...
Caro Antonio,hoje fotografei o céu, uma imensidão ...
Olá, amiga Poeta.Não se preocupe, não precisava de...
Caramba, Poeta! Confundi-o com outro amigo! Descul...
O seu desejo deu, me prazer.
GRANDE POETA!!! ETERNAMENTE ME ENCANTAREI LENDO-TE...
ADORÁVEL POESIA GAROTO...
com doçura, com maldade, com verdade .....
TEM MUITA COISA LINDA PARA SE LER AQUI, PRECISO AP...
mais sobre mim
blogs SAPO